Jeso Carneiro

Das lágrimas para um árduo ciclo de novas lutas para o PT

Das lágrimas para um árduo ciclo de novas lutas para o PT, por Airton FaleiroSenadores vibram com a provação do impeachment no Senado, ontem. Foto – Agência Senado

por Airton Faleiro (*)

Mesmo que soubéssemos com antecedência que o resultado da votação, no Senado Federal, levaria ao afastamento da Presidenta da República, Dilma Rousseff, não foi possível segurar.

Aquela agonia que apertava o peito, esperando a hora de o anúncio chegar, se desfez em lágrimas.

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Lágrimas que podem até ser pisoteada pelos arquitetos políticos e ideológicos do golpe. Por aqueles mais eufóricos, que “não sabem o que fazem”, mas que servem de transmissores dos ideais golpistas, no seio da sociedade. Não importa… são lágrimas sinceras e com profundas razões.

Aos que se enganam que choramos por que saímos do governo, devemos dizer que um partido que se propõe ir além de uma sigla de aluguel e desafia em se colocar como opção de governo para seu povo, tem que saber que, na democracia, passamos por alternância de poder. Portanto, nossas lágrimas têm outras motivações que não o simples fato de sairmos do governo.

– É duro ver que, diante de uma fragilidade, provocada por razões externas ao país (crise internacional) e por alguns erros, o projeto virtuoso de um governo da classe trabalhadora seja arrancado à força, onde os golpistas se apoiam de forma cínica na Constituição para justificar uma eleição indireta de um presidente da República;

– É doído ver que, na primeira oportunidade em que o governo popular perde a hegemonia na sociedade, diante narrativa enganosa de combate à corrupção, e que a saída do governo petista e a destruição do PT representavam as soluções para todos os males do Brasil, as elites se unem, mais uma vez, para assaltar o poder.

– Não deixou de ser surpreendente e repugnante vivermos um verdadeiro massacre de um complô, quase que “perfeito”, de um golpe, com laboratórios no exterior, sendo aplicado com tamanho êxito, aqui no gigante Brasil. Foi de fazer inveja a qualquer estrategista de guerra assistir tamanha sintonia entre a grande mídia, o judiciário, o congresso e a Federação das Indústrias de São Paulo, os ataques ao PT, ao ex-presidente Lula e ao governo da presidenta Dilma.

E AGORA PT?

1- Em primeira mão, o PT tem que se preparar para novas batalhas. Pelo que tudo indica essa guerra não termina com o impedimento do governo petista. Ainda tem mais dois objetivos nos planos dos golpistas.

Eles querem impedir a qualquer custo o Lula de disputar as eleições de 2018, por considerarem que ele representa uma possibilidade real do projeto de governo popular voltar a ser eleito pelo voto direto. Mas eles trabalham com a possibilidade de destruição do PT como partido político.

2- O Partido dos Trabalhadores tem que saber que não esteve sozinho neste embate contra o golpe e nem estará nas próximas lutas, no papel de oposição ao governo do acordão das elites, liderado por Temer.

Como saldo positivo neste processo, podemos assegurar que os setores de esquerda e progressistas se reaproximaram consolidando a Frente Brasil Popular como uma frente de Lutas que deve permanecer juntando todos estes setores.

3- Neste novo ciclo em que o PT vai ser oposição, se faz imprescindível manter suas formas de interação com a sociedade, orientando um processo permanente de reação ao plano “Ponte para o Futuro”, da coalizão de direita com extremistas, que certamente buscarão implementar retrocessos irreparáveis para a classe trabalhadora e as camadas populares, tais como:

A- Reformas trabalhistas com extinção e redução de direitos;
B – Privatizações de estatais estratégicas e entrega ao capital estrangeiro;
C- Gradativamente vão reduzir e aniquilar os programas sociais;
D- Ciclo de repressão às organizações sociais e lideranças de esquerda e de oposição;
E- Cabe ao PT inaugurar um amplo processo de avaliação e análise de seus erros, na busca de uma aprendizagem reparadora, capaz de lhe fortalecer como um partido organizador da sociedade e protagonista de seu projeto político e de governo de interesse da sociedade brasileira;

Enganam-se os que pensam que o PT está acabado.

Sem dúvidas sofreu um desgaste, mas a sociedade “vai e volta”, ou seja, passada essa onda, a população vai comparar os governos do PT com os que lhes sucederam e isso pode fazer a diferença nas próximas disputas eleitorais. O legado dos governos Lula e Dilma serão importante nos próximos embates.

Uma coisa é certa: o PT prefere o julgamento pelo voto direto do povo. Portanto, em 2016 e 2018 colocaremos nosso projeto político em disputa para o julgamento popular.

Que as lágrimas virem bússola para nos guiarem pelos caminhos da democracia, da paz e da justiça.

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* É vice-presidente do PT no Pará e deputado estadual, reeleito em 2014.

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