Jeso Carneiro

O sonho americano. Por Wildson Queiroz

O sonho americano. Por Wildson Queiroz

Nem sempre os Estados Unidos da América foram essa super potência mundial megalomaníaca que se arvora ao direito de xerife do mundo. Até o século XIX, os americanos eram de uma nação mediana. O país emergiu como uma superpotência por ser um dos maiores beneficiários dos efeitos devastadores da Segunda Guerra Mundial, fornecendo armamentos para os aliados durante o combate e no pós-guerra oferecendo empréstimos para as nações destruídas, liderando o bloco ocidental contra a União Soviética.

No pós-guerra, o Plano Marshall foi a estratégia utilizada para aumentar ainda mais a influência norte-americana no continente europeu. O programa consistia na ajuda econômica aos países devastados pela guerra, em especial Reino Unido, França e Itália. Além disso, visava fortalecer a estabilidade política e impedir o avanço do comunismo.

A crescente influência se expandiu para além das questões econômicas, o “American Way Life”, ou estilo de vida americano, passou a ser amplamente difundido. Este conceito abarca a busca de uma vida de sucesso, o consumismo, a liberdade de empreender, a defesa da pátria, dos símbolos nacionais e a crença nos valores democráticos liberais.

O estereótipo de sucesso e bem-estar social e econômico associado ao estilo de vida americano influenciou diversos outros países, especialmente durante a Guerra Fria, em oposição ao modelo socialista. O estilo de vida americano tornou-se o padrão de comportamento a ser imitado e copiado, um verdadeiro sonho americano, que ao longo de décadas custou a vida de muitos imigrantes que tentaram uma vida nova na América do Norte.

Entre os elementos utilizados para difundir este conceito de vida ideal, a cultura popular foi amplamente utilizada, revista publicavam imagens e histórias de famílias felizes, músicas, filmes, desenhos animados e séries ressaltavam as vantagens de viver em um país perfeito onde todos tinham acesso ao sucesso.

Em nosso país o estilo de vida americano também passou a servir como referência de comportamento acalentando sonhos e desejos de uma vida melhor. A partir da década de 1950, esse sentimento de inferioridade em relação aos norte-americanos foi chamado de complexo de vira-lata. Este termo foi popularizado pelo escritor Nelson Rodrigues e faz referência direta aos brasileiros que se sentem inferiores em relação a outros países e preferem idolatrar políticos e personalidades de outras nacionalidades.

Isto está me lembrando algo!

A recente decisão do presidente norte-americano Donald Trump de taxar em 50% as exportações do Brasil gerou uma reação negativa em praticamente todos os setores da sociedade brasileira, com exceção de alguns “patriotas” que foram as redes sociais comemorar a decisão de Trump. Isso te lembra algo ou alguém?

O mundo está em constante transformação, o estilo de vida americano já não é a única referência de sucesso.

É fundamental perceber os avanços e as potencialidades do Brasil, nosso país possui seus próprios desafios e a superação do complexo de vira-lata passa pelo fortalecimento dos setores produtivos, da valorização da cultura, dos valores nacionais e pela busca constante de soluções internas e internacionais para os desafios de nossa nação. Enquanto os verdadeiros brasileiros defendem nossa pátria, outros vivem (literalmente) o sonho americano.

Donald Trump, atual presidente norte-americano

❒ Wildson Queiroz é pedagogo, historiador e professor. Membro do IHGTap (Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós), ex-secretário municipal de Cultura de Alenquer (PA), onde reside. É também fundador e atual presidente da Academia Alenquerense de Letras. Escreve regularmente no portal JC. Leia também dele: Por que Helder Barbalho transita no eixo Rio-São Paulo. E ainda: Os papagaios de Renato Sussuarana.

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