
por Helvecio Santos (*)
Cinco jovens de classe média alta, moradores de condomínios de luxo do bairro, descem de um carro e barbaramente a agridem, zombam e roubam-lhe a quantia de R$ 47,00 e o celular, precioso único bem que carregava.
Pelo cuidado de um taxista que vê o dantesco espetáculo, a polícia chega aos cinco bandidos e os prende. Numa das visitas à carceragem um dos pais, pesaroso, diz: “são crianças, coitados!”.
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Este crime cometido há mais de 10 anos é só uma foto 3 x 4 para onde políticos corruptos, justiça paquidérmica, blocos carnavalescos de Preta Gil, das Poderosas e outros mais com seus bêbados mijões, vandalizando o pouco que resta, levaram a outrora Cidade Maravilhosa.
Hoje o Rio de Janeiro é uma cidade suja, mal cuidada, com obras das Olimpíadas e da Copa do Mundo inacabadas, abandonadas ou inservíveis por falta de conservação.
Soma-se a isso, trânsito caótico, ruas esburacadas e tomadas por camelôs, policiamento desmotivado e desrespeitado e, no meio de tudo isso, a população acuada por bandidos, tanto os de colarinho engomado e caneta nas mãos quanto os de armas letais a tiracolo.
Guardadas as peculiaridades de cada localidade, esse é o retrato de todo o Brasil.
A televisão repete à exaustão e são comuns cenas dos antigos engravatados conduzidos em camburões, como também são comuns as cenas da tarde do dia 18 de janeiro de 2018, uma quarta feira, quando uma carreta é roubada e levada para a favela Gogó da Ema, em Belfort Roxo, Baixada Fluminense, e logo após, saqueada. Após intenso tiroteio, a polícia consegue recuperar a carreta.
Isto é o Rio de Janeiro e nesse Brasil varonil de “malas recheadas”, tanto as de rodinhas quanto as amontoadas em apartamento, roubo de carga soa quase como normal e aceitável. Já faz parte da rotina.
Mas, fica a pergunta: E quando o roubo de carga acontece num estado como o Paraná, numa cidade distante dos grandes centros? Será indicação de que o corpo está septicêmico? Que a podridão é geral?
Dia 18 de fevereiro de 2018, domingo, uma carreta com 27 toneladas de carne tombou na PR-092, em Wenceslau Braz, norte do Paraná. A carreta foi arrombada e toda a carga saqueada por cerca de 2 mil pessoas.
Se a localidade chama a atenção, há algo mais preocupante. Pasmem! A fotografia estampada nos jornais mostra que os ladrões – sim, porque são ladrões mesmo – são pessoas bem vestidas, alguns com vistosos tênis e outros com aconchegantes casacos de grife internacional.
Choca ainda mais a naturalidade e o fato de não haver qualquer gesto de crítica ao vergonhoso saque. O nível de indignidade baixou tanto que havia solidariedade na safadeza. Parecia uma grande festa paroquial e enquanto uns riam, outros ajudavam-se mutuamente, o que leva a crer que no consenso geral aquele tipo ilícito é tido como aceitável pela população.
O caminhoneiro, ferido, foi encaminhado a um hospital.
No discurso “socialista politicamente correto” de considerável parcela da população, os roubos e saques de carga são praticados por pessoas pobres, “vítimas da sociedade capitalista” que assim agem porque a sociedade não lhes deu oportunidade.
Na minha opinião, esse é um discurso extremamente conveniente para manter em “curral eleitoral” as “vítimas da sociedade capitalista”, o que é do interesse da dita “esquerda”.
Penso que o problema seria atacado com a oferta de melhores escolas, mas isso é solução a longo prazo. A curto prazo, e que deveria se perpetuar, é necessário uma Justiça mais rígida, com mudanças nas leis penais, sem tantas benesses e facilidades, duas pautas que não estão presentes no discurso do Planalto.
Assim, sem escola de qualidade e sem Justiça rígida, como os de cima roubam, os de baixo não se sentem comprometidos com o Brasil, não se sentem donos do país e copiam os de cima, roubando o que podem, o que é pouco e menos violento se comparado ao que é roubado pelos “de caneta em punho”.
E não me venham dizer que a pobreza gera violência. Isso é balela!
Na época em que foi vítima da agressão, a empregada doméstica morava em Imbariê, Duque de Caxias, município da Baixada Fluminense. Até hoje é um bairro pobre, onde em quase sua totalidade esgoto corre a céu aberto e crianças brincam em meio a lixo.
É sabido que flores também nascem no pântano e da exposição do episódio e da vida das vítimas, conclui-se, é o caso.
Apesar da dor física e moral a que os riquinhos marginais covardemente submeteram Sirlei, numa das muitas lições que nos deu, corajosamente disse: “Quero que meu filho tenha uma boa instrução, não só na escola, mas em casa. Quero que aprenda a ser um bom ser humano, e ser uma pessoa do bem”.
Pedreiro, o pai de Sirlei criou mais quatro filhos e nos revelou o segredo de uma família carente de “ouro”, mas rica em dignidade, quando disse: “Não adianta ter educação na escola se falta carinho em casa”, e completou: “Eles (os agressores) poderiam ser filhos de um Brasil melhor”.
A culpa da violência que campeia no Brasil vem do exemplo de cima, da falta de escolas de qualidade e de uma Justiça “meia boca”. Pobreza e violência não são faces de uma mesma moeda.
Três pilares sustentam um grande país: Família, educação e Justiça. Os dois primeiros formam e o último garante a integridade do país.
Não iremos a lugar algum com a família padronizada pelas novelas e reality shows da televisão, rainha do lar; com a educação sob a orientação social bolivariana e uma Justiça paquidérmica e do faz de conta.
Renato Russo continua atual: Que País é Esse?
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* Santareno, é advogado e economista. Reside no Rio de Janeiro. Escreve regularmente neste portal.
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