por Tibério Allogio (*)
As críticas são oriundas principalmente da direita. Suas tônicas, sempre virulentas, tem sido sistematicamente massificadas pelos meios de comunicação, com os quais ela conta, tentando passar a impressão de que suas criticas são compartilhadas pela maioria da sociedade.
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Os direitistas odeiam as políticas de inclusão social e de desenvolvimentismo de esquerda. Eles cultuam candidatos de perfil neoliberal, que atendam as demandas do empresariado, que preguem menos impostos e não coloquem obstáculos à especulação financeira. Mas do que eles gostam mesmo é do “anti petismo”. Por isso, qualquer candidato serve.
Ao contrário da direita, as críticas da ultra esquerda fogem do “ideologismo” para cair no “neurologismo”. Para esse segmento, a aceitação de que um governo do PT pode ter aspectos elogiáveis e outros condenáveis é um exercício intelectual complicado demais, que afetaria fatalmente a saúde mental dos cérebros ultra esquerdistas.
Por isso, optam pela simplificação da simplificação, ou seja: atacam o governo petista sem medo de se somar com a direita, achando esta a forma mais inteligente de construir uma alternativa à esquerda do PT.
É com essa tônica que a sucessão municipal já começou em Santarém, para o bem e para o mal.
Um enfrentamento que segue o mesmo roteiro dos últimos 8 anos. Ou seja:
1) a manutenção do ciclo de mudanças estruturais introduzido pelo PT em 2004;
2) O retorno ao passado, encarnado na eterna dupla Maia-Von, que governou Santarém na década de 90.
Essa dupla, herdeira legítima de uma tradição politica de governos incompetentes, a maioria deles corruptos, culturalmente atrasados e ideologicamente reacionários, abandonou o município em 2003 à beira de um “deficit estrutural” tão grande que ainda hoje parece quase impossível recuperá-lo.
De lá pra cá, mas ainda devendo muito, Santarém conseguiu sair do atoleiro, engatar algumas marchas e se consolidar como “Polo Tapajônico” de múltiplas atividades produtivas da grande região do oeste do Pará.
Em pouco menos de uma década, conseguiu dobrar seu PIB, e triplicar o PIB per capita de seus moradores, e finalmente parar de “exportar” sua população para o Brasil afora por falta de oportunidade, começando a “importar” cidadãos de todo o Brasil em busca de novas oportunidades.
Uma cidade que se tornou uma grande região metropolitana. Que em pouco mais de uma década gerou 2 municípios (Belterra e Mojui) e mesmo assim ainda beira a casa dos 300 mil habitantes.
Um município que já é o maior polo educacional do oeste paraense.
Um centro propagador das atividades ecoturísticas. Meta obrigatória de visitas culturais e artísticas de cunho nacional e internacional. Enfim, uma cidade que nesses últimos 8 anos conseguiu sair do atoleiro e crescer rapidamente, com uma administração municipal, que em apenas dois mandatos triplicou seu orçamento.
Mudanças tamanhas que levantam serias interrogações sobre os problemas que afligem a oposição Santarena. Uma oposição que após 16 anos ainda persiste em se apresentar no páreo eleitoral com as “novidades de sempre” o retrocesso.
Enquanto os petistas querem “seguir mudando”, e para tanto resolveram investir em uma candidatura de cara nova, a oposição permanece sem ideias, de cérebro vazio, mumificada no “conservadorismo” da escolha de seus candidatos.
Porque isso acontece?
Sabemos que em Santarém existe uma parcela de “classe média-alta”, formada por políticos e empresários, cuja postura essencial consiste em evitar olhar o mundo para frente. A regra dessa elite provinciana é manter o olhar sempre torto, para o lado. Para aquele seu vizinho, seu suposto adversário, e tentar derrotá-lo.
O âmago da existência desse “ceto social” não é progredir junto ao conjunto. Para eles, o sentido da vida consiste em apontar um inimigo para derrubá-lo. E na politica de modo geral, o desafeto dessa elite chama-se esquerda. Mais precisamente PT.
Esses sujeitos não têm o menor interesse em saber o que os governos petistas fizeram ou deixaram de fazer. Não querem saber o que foi feito com o dinheiro público e se a vida dos os santarenos melhorou. Para essa categoria de pessoas, a única coisa que interessa é “derrotar o PT”. Esta é a sua obsessão.
Seria, então, essa elite minoritária o maior problema que aflige a oposição santarena? Que impede sua renovação e o seu desenvolvimento politico e cultural? Talvez.
Por isso, caro leitor, ao começar analisar os agentes da sucessão politica em Santarém, não espere para a propaganda eleitoral gratuita. Faça isso a partir de agora.
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* É sociólogo e reside em Santarém. Escreve regularmente neste blog.
