De Brasília, o leitor Solano Lira comenta a Frase do dia, de hoje:
É o que eu sempre digo: é preciso compreender bem a linguagem de que se reveste a mensagem política para entender a sutileza do discurso. Sem isso, a leitura será sempre superficial e ingênua.
A frase do FHC serve bem a esse propósito. Primeiro, ele foge – esperto que é – da denominação do que aconteceu no Paraguai. Para isso, despreza o substantivo e recorre ao verbo “tirar”, numa visão apenas aparentemente coloquial. Ele, que estudou bem a ciência política, nunca deve ter encontrado nos livros técnicos a que teve acesso a expressão “tirar rapidamente um presidente” sem que para isso tivesse uma denominação específica condenável.
Depois, como forma de enganar o leitor menos atento (usa “daí” para atenuar a primeira ideia e não se comprometer por ser “democrata”!), faz média com a suposta democracia e soberania dos Estados (as quais insinua defender!), julgando como negativa a ação do Brasil e normal o que aconteceu no Paraguai. Tudo isso de forma subliminar, diga-se!
Resumindo: FHC diminui a capacidade de o leitor entender sua mensagem e não diz nada para os atentos, só para os inocentes.