FHC para inocentes

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De Brasília, o leitor Solano Lira comenta a Frase do dia, de hoje:
FHC
É o que eu sempre digo: é preciso compreender bem a linguagem de que se reveste a mensagem política para entender a sutileza do discurso. Sem isso, a leitura será sempre superficial e ingênua.

A frase do FHC serve bem a esse propósito. Primeiro, ele foge – esperto que é – da denominação do que aconteceu no Paraguai. Para isso, despreza o substantivo e recorre ao verbo “tirar”, numa visão apenas aparentemente coloquial. Ele, que estudou bem a ciência política, nunca deve ter encontrado nos livros técnicos a que teve acesso a expressão “tirar rapidamente um presidente” sem que para isso tivesse uma denominação específica condenável.

Depois, como forma de enganar o leitor menos atento (usa “daí” para atenuar a primeira ideia e não se comprometer por ser “democrata”!), faz média com a suposta democracia e soberania dos Estados (as quais insinua defender!), julgando como negativa a ação do Brasil e normal o que aconteceu no Paraguai. Tudo isso de forma subliminar, diga-se!

Resumindo: FHC diminui a capacidade de o leitor entender sua mensagem e não diz nada para os atentos, só para os inocentes.


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9 Responses to FHC para inocentes

  • Resumindo: Solano Lira não disse nada.Enquanto isso, na Sala de Justiça, Fernando Henrique Cardoso recebe o Prêmio Kluge e mais 1 milhão de dólares da biblioteca do Congresso dos Estados Unidos por sua produção acadêmica. Resumindo: FHC é o cara.

    1. Andeerson Dezincourt,

      As pessoas tiram dos fatos ou situações com as quais se deparam alguma reflexão, mas de alguma forma elas transformam o que veem, não apenas registram ou documentam sem conferir alguma extensão. Eu vi a frase e fiz um julgamento condicionado ao fragmento textual, não me ative ao fato de o ex-presidente ser ou não “o cara” por ser um lugar-comum e estar externo ao que ele disse (o que e interessava no momento!). Na hora não me ocorreu essa denominação nem me ocorreria, uma vez que não suporto lugar-comum, clichês, rótulos, que sempre soam como pobreza vocabular.

  • Ao contrario de certos politicos que acham que descobriram o Brasil , a Historia vai apontar FHC como o responsavel pela redução drastica da inflação no Brasil atravès do Plano Real , esse é o seu legado ao Brasil .

  • Sr. Solano Lira, não estou defendendo FHC, pois quem sou eu para defender o mesmo? No entanto, da leitura da frase, em momento nenhum ele disse que o que aconteceu no país vizinho foi “normal”. Ele diz que “é sempre ruim” e deixa implícita uma critica por “uma sanção ao Paraguai”. Mas é lógico que qualquer pessoa minimamente informada sabe que o que aconteceu no país vizinho não foi “normal”. O normal era o bispo (?) (sacerdócio e filhos são incompatíveis pelas normas da Igreja) ter cumprido o mandato. Isso não aconteceu! Mas o que não se pode negar é que o que ocorreu no Paraguai foi legal, à luz do ordenamento jurídico vigente, o que foi confirmado em todas as instâncias. Comparando, seria o mesmo que condenarmos os EUA por mandarem para a cadeia menores de idade ou a Indonésia pela imposição da pena de morte a traficantes, o que não acontece no Brasil. Mais uma vez, respeitosamente,

    1. Helvécio, obrigado pela fineza do tratamento a mim dispensado.

      Há, na fala descontextualizada a que me ative, dois dados curiosos que me espantaram no primeiro momento.
      Primeiro, uma fuga do FHC da definição do que aconteceu no Paraguai (usou “tirar um presidente rapidamente”). Pensei que o ex-presidente, ao contrário de dizer “é bem ruim”, pudesse afirmar é correto segundo a lei ou incorreto. Neste ponto, lembro que houve uma manifestação tardia da oposição no Brasil, até lenta e suave se compararmos com o que aconteceu com o Zelaya. Certamente, não seria tão prudente julgar ao certo o que estava acontecendo no país vizinho. Houve, em seguida, um discurso iniciado pela “grande mídia”, considerando normal o ocorrido (a mídia tem estabelecido posicionamentos, criado agendas políticas, julgado haver ditadura na Venezuela e Bolívia!) e fazendo algumas ameaças sutis quanto à situação dos brasiguaios. Depois, alguns senadores tomaram partido e se manifestaram publicamente.
      Segundo, o fato de um presidente ter tido apenas aproximadamente duas horas para se defender é um pouco estranho, considerando que, como tem enfatizado o senador Requião (“o liberalismo brasileiro é igual jabuticaba: só dá aqui”), no Paraguai, uma multa de trânsito leva dez dias inicias para apresentação de provas e contraprovas. Sobre este último dado e considerando a gravidade e repercussão do fato, os livros de história menos parciais vão julgar o ocorrido.
      Para mim, o que ficou marcado mesmo, considerando todo debate que acompanho aqui em Brasília, foi uma triste confissão do governador Tarso Genro, que se encontra no link abaixo para sua apreciação:

      https://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20450

  • FHC deve estar preocupadíssimo com a análise filológica e psicanalítica do Sr. Solano Lira. Não vai dormir por uns dez dias!

    1. De repente, ele se esconde atrás de um ardil pseudônimo, faz uma visita virtual ao Blogue do Jeso (que tem abrangência nacional!), lê a “análise filológica e psicanalítica” (para mim uma simples “bobajada”, expressão do grande Guimarães Rosa!), elabora algum comentário e deixa de dormir por uns vinte dias, contrariando a tua previsão. Só não quero que ele me convide para beber cerveja. Mudei recentemente para o vinho, em homenagem tardia ao Deus Baco. Rsrs.

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