Jeso Carneiro

Morte em defesa da floresta

Doutoranda em Ciências Agrárias, Larissa Almeida comenta o post Mais 2 líderes rurais são assassinados no PA:

Jeso,

Este crime repercutiu muito aqui em Belém (na Universidade Federal Rural da Amazônia), principalmente junto a colegas do doutorado que desenvolvem trabalhos de pesquisa científica com comunidades do Assentamento Praialta-Piranheira, nos núcleos de pesquisa UFPA de Marabá.

Segundo alguns, que já entrevistaram o casal para subsidiar trabalhos acadêmicos, os dois comunitários eram lideranças locais que não tinham medo de lutar contra o desmatamento na região e tinham na produção de subsistência e na extração de produtos florestais não madeireiros, sua fonte de renda.

Por não aceitarem a extração ilegal de madeira, uma ameaça ao ecossistema do qual eles e centenas de comunidades fazem uso, sofriam perseguição e ameaças de morte. Hoje, infelizmente, eles viraram mártires desta luta, assim como aconteceu com Dorothy.

Aproveitando o ensejo, retrocedemos ao aprovar um código que potencializa o desmatamento e fica evidente que não estamos em um caminho salutar. Quando ficará claro que NÃO são necessárias mais áreas para produção de madeira?

São necessários investimentos e a implementação de tecnologias para usar os recursos naturais de forma racional, sendo que para extração de madeira, por exemplo, áreas de florestas nativas de produção são suficientes e a pesquisa tecnológica da madeira deve acompanhar as mudanças no mercado e o esgotamento de madeiras mais nobres, dando lugar a novas espécies a serem extraídas, enquanto outras se tornam mais escassas considerando seu diâmetro de corte, até dar tempo pra floresta se recuperar.

Por enquanto, está sendo mais cômodo e barato não contabilizar os custos ambientais e, pelo mesmo ralo, vidas estão indo embora.

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