Jeso Carneiro

Nhambu: da caça ao homem ao linchamento

Da cidade de Montpellier (França), a pesquisadora PhD Delaine Sampaio faz uma reflexão sobre o vídeo do post Secretaria vai apurar linchamento em Santarém:

O linchamento atroz desse rapaz na comunidade do Curuaí chocou alguém? Infelizmente não foi essa a minha impressão ao assistir e ouvir o vídeo postado.

Eu não tenho nenhuma simpatia ou mesmo antipatia para com o defunto… sou somente humana! Estou horrorizada com as imagens do linchamento desse homem. Pouco importa o que ele fez. É essa a lição/educação que queremos transmitir para nossas crianças? Selvageria, barbaridade e extrema crueldade! Será que as mãos dos participantes desse linchamento (provavelmente pais de família) estão limpas?

Meu objetivo aqui não é julgar ninguém, levanto somente algumas questões dignas de reflexão. Esse fato gravíssimo levanta em si vários questionamentos. O mais importante deles é a vontade da população do Curuaí (somente uma parte dela, espero eu!) de fazer justiça com as próprias mãos.

Independente dos motivos alegados no vídeo, esse tipo de atitude revela sobretudo um profundo mal-estar na relação entre os cidadãos e a polícia ou com a justiça de maneira geral. Não fazer confiança nessas instituições revela a desconfiança cuja origem encontra-se na imagem pouco prestigiosa e valorizante que, muitas vezes, elas dão de si mesmas… o que é particularmente grave em um Estado de direito e compromete a coesão social.

Diante de um fato tão grave como esse… sim, repito, um homem foi barbaramente linchado até a morte e não somente “foi-se mais um marginal ou pessoa causadora de problemas na comunidade” (conforme dito no vídeo). Eu espero que as devidas providências serão tomadas, que o caso seja apurado e que o(s) culpado(s) (uma vez julgados de maneira justa!) serão condenados, pois essa triste história não pode ficar por aí. E sobretudo, ela não deve ser considerada normal e ser banalizada no Curuaí.

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