Cientista político, Dornélio Silva [foto] comenta o artigo Das lágrimas para um árduo ciclo de novas lutas para o PT, da lavra do deputado estadual e vice-presidente do PT no Pará Airton Faleiro:
O debate é profícuo. E bom para a democracia.
Destaco uma afirmação sua quando diz que o governo Temer é de “coalizão de direita com extremistas”. As nomenclaturas Direita, Esquerda, Centro, nos dias de hoje, não se sustentam mais.
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Veja, vivemos um presidencialismo de coalizão. Temer faz uma coalizão de direita, mas o PT no governo fez uma coalizão, digamos, mais eclética: centro-direita-esquerda.
Esses mesmos partidos que compõem o governo Temer estavam na coalizão do PT, exceto PPS, que fazia oposição ao governo Dilma.
Num governo presidencialista de coalizão, em que a fragmentação do poder parlamentar entre vários partidos obriga o Executivo a uma prática que costuma ser mais associada ao parlamentarismo, ele precisa costurar uma ampla maioria, frequentemente contraditória em relação ao programa do partido no poder.
Além de difusa do ponto de vista ideológico e problemática no dia a dia, em razão do potencial de conflitos trazidos por uma aliança formada por forças políticas muito distintas entre si e que com frequência travam violenta competição interna.
O governo PT começou a perder o controle, quando perdeu a presidência da Câmara. Foi incompetente na articulação política, mesmo entre seus aliados.