Jeso Carneiro

Visão distanciada do Maria II

Universitário, Ib Sales Tapajós faz contraponto ao post Maria, o último cartucho do PT no Pará, da lavra de Válber Almeida:

Com todo o respeito ao Professor Valber, creio que a análise por ele realizada expressa uma visão distanciada da realidade local, um olhar de quem não está acompanhando de perto a vida política e social de Santarém.

A imagem de Maria do Carmo anda muito desgastada por aqui. Ela possui atualmente uma grande rejeição entre a população santarena. Cito dois indicadores desse fato:

I) a derrota de seu irmão Carlos Martins, cuja campanha foi a prioridade número 1 de Maria nas eleições 2010; e

II) a vitória abissal do PSDB sobre o PT em Santarém, tanto na disputa pelo governo do estado quanto na disputa presidencial. [Mesmo com o grande sucesso eleitoral de Dilma Rousseff, que surfou na grande onda de popularidade do governo Lula].

Diante desse cenário, vislumbro como pouco provável que Maria do Carmo consiga eleger seu sucessor em 2012. E, se fracassar, seu destino será o mesmo de Ana Júlia: se tornar um defunto político.

Por fim, Professor Valber, vejo com grande estranheza o senhor entender que Maria pode “fortalecer novamente o projeto alternativo de sociedade e governo do PT”.

Em primeiro lugar, porque o PT abandonou um projeto alternativo de sociedade há anos, muito embora eu tenha respeito por vários militantes petistas que ainda mantêm seu ideal de transformação social. Ocorre que tais militantes são uma minoria inexpressiva, que não têm força nos embates internos do partido, portanto, são sempre engolidos pelas tendências majoritárias que querem somente o poder pelo poder.

E, em segundo lugar, porque não podemos em hipótese alguma confundir um projeto alternativo de sociedade com um projeto de família – e é este último que caracteriza o grupo dos Martins em Santarém, que historicamente ofuscaram inúmeras lideranças do PT em prol de seus interesses mesquinhos.

A prova de fogo desse grupo serão as próximas eleições municipais. Se os Martins mantiverem a mesma política (egoísta, familiar..) adotada nos últimos anos, não tenhamos dúvida: serão enterrados politicamente.

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