Jeso Carneiro

Em nota, UFOPA diz que vai apurar tumulto

Em nota ao blog, sobre o tumulto que provocou o cancelamento da aula magna da instituição na sexta-feira (18), a UFOPA (Universidade Federal do Oeste do Pará) acusa “um grupo de agressores” pelo ato e que vai instaurar “processos administrativos disciplinares, para apurar tais fatos, que colocaram em risco a integridade física de todos os presentes no evento”.

No Leia Mais, abaixo, a íntegra da nota. Leia também a carta do DCE/UFOPA sobre o episódio.

Segundo o blog apurou, o tumulto foi provocado por membros do DCE (Diretório Central dos Estudantes) contrários ao modelo acadêmico adotado pela universidade.

Um dos líderes da manifestação, Ib Tapajós, em comentário neste blog, declarou que “o movimento estudantil tentou criar um espaço para expressar suas demandas e reivindicações”.

SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL
UNIVERSIDADE FEDERAL DO OESTE DO PARÁ – UFOPA
Nota de Esclarecimento sobre o cancelamento da Aula Magna da UFOPA

A Administração Superior da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) esclarece, por meio de nota pública, à sociedade santarena e à comunidade acadêmica, que a Aula Magna de recepção aos novos alunos foi cancelada em virtude de conduta irregular de um grupo de agressores que provocaram tumulto e praticaram ações físicas grosseiras e violentas contra pessoas e equipamentos da UFOPA. A Aula Magna, intitulada “A Universidade Amazônica do Século XXI”, seria ministrada na última sexta-feira, 18 de março de 2011, no salão nobre do Centro Empresarial Amazônia Boulevard, em Santarém (PA), pelo Prof. Dr. Armando Dias Mendes, Doutor “Honoris Causa” pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e pela Universidade da Amazônia (UNAMA).

Desde já a Administração Superior da UFOPA agradece todo o apoio que vem recebendo da sociedade, principalmente à santarena e a do Oeste do Pará, em relação ao acontecimento. Agradece em especial ao Prof. Armando Dias Mendes, que gentilmente aceitou o convite de ministrar a Aula Magna e veio exclusivamente a Santarém com esta finalidade; a todas as autoridades presentes; ao cantor e compositor Nato Aguiar, por sua emocionada apresentação musical; à equipe de servidores e bolsistas que trabalharam arduamente para a realização do evento; e, principalmente, à comunidade acadêmica da UFOPA, que, de forma respeitosa e pacífica, lotou o salão nobre do Amazônia Boulevard, em busca de conhecimento.

A direção da Universidade informa que o Prof. Armando Dias Mendes, no dia seguinte, aceitou gravar a aula para posterior exibição às turmas de alunos novos, visando a minimizar a frustração destes ao terem seus direitos cerceados por um pequeno grupo que não representa os anseios de todos que são e fazem a universidade que temos e que queremos.

A Administração Superior da UFOPA esclarece ainda que já está tomando as devidas providências, com a instauração de processos administrativos disciplinares, para apurar tais fatos, que colocaram em risco a integridade física de todos os presentes no evento.

Criada pela Lei 12.085 de 5/11/2009, a UFOPA está implantada no coração da Amazônia e tem como missão gerar conhecimento e formar recursos humanos no mais alto nível de qualificação, num processo permanente e continuado que tenha início nos níveis fundamentais de graduação superior, ajustada à realidade amazônica, e que alcance as mais elevadas competências em nível de pós-graduação, comprometida com uma produção científico-tecnológica responsável pelo desenvolvimento sustentável da região e de uma verdadeira cidadania amazônica.

Administração Superior da UFOPA

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É latente a ausência de democracia na Universidade Federal do Oeste do Pará, desde sua criação oficial, em novembro de 2009. O reitor da UFOPA foi indicado de maneira unilateral pelo Ministro da Educação; não temos até hoje um Conselho Universitário, formado por representantes das três categorias (estudantes, professores e técnicos); todas as decisões importantes são tomadas unicamente pelo Reitor e sua equipe – inclusive a implantação da ‘nova’ estrutura acadêmica, que inclui, dentre outros aspectos, o CFI, bacharelados interdisciplinares e licenciaturas integradas.

Há anos o movimento estudantil e os movimentos sociais vêm tentando dialogar com o corpo dirigente da Universidade, no sentido de instaurar um processo democrático na instituição. Inclusive apresentamos um projeto alternativo para a UFOPA, intitulado “A Universidade que queremos”. Entretanto, a maioria das nossas iniciativas não obteve êxito. A Reitoria é surda aos nossos clamores e, ao invés de abrir espaços públicos de discussão, prefere se pautar em atitudes autoritárias, reprimindo e intimidando os estudantes, professores e funcionários que ousam discordar do projeto (im)posto pelos donos do poder.

É dentro desse contexto que realizamos o ato público do dia 18 de março de 2011, durante a aula magna no Auditório do Hotel Amazônia Boulevard, conforme deliberado na Assembléia geral dos estudantes do dia 17 de março. Nossa principal bandeira levantada na ocasião foi: Democracia/Diretas já! Afinal de contas, a comunidade acadêmica tem o direito de escolher o seu reitor e de decidir qual o modelo acadêmico melhor atende aos seus anseios, dentre outras questões.

De fato, o momento em que interrompemos a programação da Reitoria não foi o mais adequado. Aliás, não era essa a nossa intenção. Entretanto, foi o único caminho que encontramos para nos fazer ouvir, já que os membros da Administração negaram a nós o direito de falar no evento – uma atitude claramente autoritária, a exemplo de não terem convidado o DCE [entidade máxima dos estudantes da UFOPA] para compor a mesa de abertura da aula magna.

A Universidade é, por excelência, um espaço de produção de conhecimento e debate de idéias. Portanto, não podemos admitir essa ditadura do pensamento único, em que a única voz autorizada a se manifestar é a da Reitoria. Precisamos defender a plena liberdade de expressão e o amplo debate público de todas as questões pertinentes à UFOPA. O reitor não quer isso, mas nós lutaremos sempre para que todas as vozes sejam ouvidas na nossa Universidade. Nunca nos calarão!

Por outro lado, é importante ressaltar que a falta de diálogo da Reitoria com o movimento estudantil gera vários efeitos negativos para a vida de todos os estudantes. A ausência de uma política séria de assistência estudantil é uma prova disso. Nunca constou no Projeto oficial da UFOPA a construção de uma Casa do Estudante, para abrigar acadêmicos oriundos de outros municípios. Um Restaurante Universitário sequer é cogitado pelo Sr. Seixas Lourenço. A estrutura física da nossa Universidade – salas de aula, bibliotecas, laboratórios, etc. – deixa muito a desejar. Ademais, as inúmeras dúvidas sobre o funcionamento do CFI nunca são respondidas satisfatoriamente pela Administração (o caso do Índice de Desempenho Acadêmico – IDA é emblemático nesse sentido).

Por isso tudo, é extremamente importante que o corpo estudantil da UFOPA esteja sempre unido, de modo a reivindicar com eficácia suas demandas fundamentais. Não podemos nos render ao discurso maquiavélico de alguns setores que tentam colocar estudantes contra estudantes. Todos nós, ‘calouros’ e ‘veteranos’, fazemos parte de uma mesma categoria: os estudantes da UFOPA. Possuímos as mesmas demandas, sofremos dos mesmos problemas, temos sonhos e aspirações parecidos. E, o que é mais importante, todos nós almejamos uma Universidade pública de qualidade, que cumpra os desafios sociais que o povo da região espera; que contribua para o verdadeiro desenvolvimento da Amazônia, produzindo um conhecimento socialmente útil para a maioria da população.

Como dizia o grande poeta Carlos Drummond de Andrade, não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas, construir a Universidade que queremos!

Assinam:

Diretório Central dos Estudantes da UFOPA (DCE/UFOPA)
União dos Estudantes de Ensino Superior de Santarém (UES)

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