Jeso Carneiro

Eu me lembro: o apito da fábrica

por Pedro Maia

A fábrica Tecejuta marcou a minha infância. Minha mãe costumava acabar com nossa pelada em frente de casa quando soava o apito da indústria de juta e malva. E ai daquele que não corresse pro banho! Também era através desse apito que meu pai controlava saídas e chegadas da molecada toda que estudavam na Escola Paroquial São Francisco.

Já um pouco maior, relembro o excelente time de futebol que a Tecejuta formou pra disputar o campenato santareno. E foi uma grata surpresa, pois fez uma bela campanha no primeiro ano, mas logo depois da segunda participação, teve que desistir, pois não conseguiu reeditar a performance anterior em virtude de que seus melhores jogadores se bandearam para S. Francisco e S. Raimundo, deixando o time muito fraco.

Se não me falha a memória, só foram duas participações. Sua camisa era idêntica a da seleção brasileira e por isso ganhou a simpatia dos torcedores locais, principalmente do bairro da Prainha. Pena que tenha sido só uma nuvem passageira, mas revelou vários atletas que brilharam nos grandes de Santarém. Talvez o melhor deles tenha sido o Petróleo, que mais tarde fez sucesso no alvinegro da Pérola do Tapajós.

Bigode, em fim de carreira, e Bayron também jogaram lá.

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