por Pedro Maia
A fábrica Tecejuta marcou a minha infância. Minha mãe costumava acabar com nossa pelada em frente de casa quando soava o apito da indústria de juta e malva. E ai daquele que não corresse pro banho! Também era através desse apito que meu pai controlava saídas e chegadas da molecada toda que estudavam na Escola Paroquial São Francisco.
Já um pouco maior, relembro o excelente time de futebol que a Tecejuta formou pra disputar o campenato santareno. E foi uma grata surpresa, pois fez uma bela campanha no primeiro ano, mas logo depois da segunda participação, teve que desistir, pois não conseguiu reeditar a performance anterior em virtude de que seus melhores jogadores se bandearam para S. Francisco e S. Raimundo, deixando o time muito fraco.
Se não me falha a memória, só foram duas participações. Sua camisa era idêntica a da seleção brasileira e por isso ganhou a simpatia dos torcedores locais, principalmente do bairro da Prainha. Pena que tenha sido só uma nuvem passageira, mas revelou vários atletas que brilharam nos grandes de Santarém. Talvez o melhor deles tenha sido o Petróleo, que mais tarde fez sucesso no alvinegro da Pérola do Tapajós.
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Há 60 anos, nascia a Tecejuta.
Desde que me entendo por gente, ouvia o apito da Tecejuta, ordenado ou a saída ou entrada dos funcionários. A passagem da maioria deles era feita ou pela Passagem Lorena, onde resido, ou por um pequeno caminho atrás de minha casa para chegar a essa passagem.
De madrugada era comum ouvir os falatórios deles, muitos alegres, outros cansados.
Minha mãe, D. Tereza, vendia banana e chopinho para complementar a renda, já que o meu pai era e ainda é pintor, e por conta disso fizemos grandes amizades, que até hoje é com muita alegria os reencontros.
Tinha na entrada da fábrica um quiosque, o quiosque da D. Rosa, vendia de tudo: refrigerante, salgados, pão, café. E outros que vendiam minguau de banana com tapioca, hum…saudade.
Eu e meus irmãos, às vezes saíamos escondidos e correndo para comprar bombons no quiosque da D. Rosa. Por onde ela anda?!
Outra saudade, é das mangas que apanhávamos nos terrenos que eram da Tecejuta (localizados na Av. Altamira, hoje, todos vendidos), a minha mãe e as vizinhas fazíamos doces… Hoje, não temos mais as mangueiras…
É verdade, a fábrica da Tecejuta ajudou muitos pais e mães a sustentarem suas famílias, inclusive a minha.
Graças a Tecejuta, minha mãe ajudou meu pai a sustentar três filhos… mas, infelizmente, a fábrica fechou…