Jeso Carneiro

Garimpo e desmatamento sujaram água em Alter do Chão, conclui laudo da PF

Garimpo e desmatamento sujaram água em Alter do Chão, conclui laudo da PF
As águas sujas do rio Tapajós em Alter do Chão em registro aéreo de Erik Jennings

Um laudo pericial produzido pela Polícia Federal com base em imagens de satélite confirma que a mudança de cor da água de Alter do Chão, ponto turístico do Pará conhecido como Caribe da Amazônia, foi causada pela intensificação do garimpo ilegal no rio Tapajós e seus afluentes. A informação é da Folha de S. Paulo.

— Laudo da ciência: Cientistas dizem que garimpo é culpado por água barrenta em Alter do Chão

A PF realiza desde o início da semana uma operação contra o garimpo ilegal dentro da Área de Proteção Ambiental do Tapajós entre o rio Crepori e a terra indigena Mundukuru.

O perito responsável pelo caso analisou imagens coletadas de julho de 2021 a janeiro de 2022. Elas mostram a evolução dos sedimentos desde os rios no Mato Grosso e o “aumento drástico” na quantidade de sujeira ao passar pela região dos rios Crepori e Jamanxin, onde estão os alvos da PF.

A análise da perícia da PF mapeou como a “pluma de sedimentos” que turvou as águas teve origem ainda no estado do Mato Grosso no final de outubro e início de novembro de 2021. No entendimento dos técnicos da PF, ela tem como causa o desmatamento nas margens dos rios Juruena e São Manuel, que deságuam no Tapajós, para plantação de monocultura.

“O desmatamento que ocorre nas margens dos rios citados favorece a lixiviação de material arenoso, argiloso e siltoso. Esses elementos são carreados até os corpos hídricos onde os sedimentos mais finos costumam ficar em suspensão por mais tempo percorrendo longas distâncias”, diz a PF.

Em 25 de novembro, a pluma de sedimento já estava em Itaituba e, entre 30 de novembro e 2 de dezembro, chegou às águas cristalinas de Alter do Chão.

“A pluma seguiu descendo o rio e se intensificou drasticamente com o aporte de mais sedimentos advindos, principalmente, dos rios Crepori e Jamanxim, no médio Tapajós”, diz o laudo.

A PF comparou imagens de afluentes do Tapajós onde não há atuação de garimpeiros e concluiu que eles “permanecem com suas águas mais escuras esverdeadas, indicando que não possuem sedimentos em suspensão”.

O laudo, embora não tenha analisado a água do rio, alerta também para uso de produtos químicos como mercúrio e o cianeto em garimpos como os da calha do Tapajós.

Com informações da FSP

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