
Santarém já elegeu Zé Maria Tapajós vereador cinco vezes, por diferentes partidos, tanto à esquerda como à direita do espectro ideológico. Também lhe deu duas oportunidades de ser vice-prefeito e uma de deputado estadual.
Neste ano, eis que ele se apresenta como candidato a prefeito, por engenho & artimanha de Maias e Martins.
Do alto de seus quase 68 anos, se diz a alternativa da experiência. Tem toda razão. É só olhar a trajetória política retilínea dele: todos os seus mandatos estão a serviço do governo da ocasião.
Por isso, Zé Maria se encaixa na história da política santarena como um dos raros parlamentares a não se insurgir contra, por exemplo, um buraco na rua, uma vicinal intrafegável, um semáforo apagado.
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Zé jamais levantou a voz na tribuna – da Alepa ou da Câmara de Vereadores -, a qualquer tempo ou situação, contra o governo. É só consultar os anais.
Sempre foi assoprador. Nunca mordeu, nunca incomodou qualquer grupo político assentado no poder, municipal, estadual ou federal.
Hay gobierno? Soy a favor! Eis o mantra político do Zé desde os tempos imemoriais.
Santarém precisa mostrar-lhe, no entanto, que existe vida política na oposição. Que ele, negacionista, não crê, sempre se esquivou.
Santarém precisa acrescentar à extensa biografia retilínea de Zé o soy contra. Para isso, precisa derrotá-lo mais uma vez nas urnas, como fez em 2022, quando perfilou pela enésima vez de candidato chapa-branca para Alepa.
Impor um revés a Zé neste ano é oferecê-lo a chance de virar opositor de JK, de Izabel, de Jardel ou de Hugo.
Só assim, o município terá condições históricas de perpetuá-lo como um homem de experiências múltiplas no exercício da vida política e democrática.
Santarém, para enriquecer e lustrar a biografia de Zé, precisar derrotá-lo nas urnas. Fragorosamente.
** Jeso Carneiro, jornalista, é editor do JC. Leia também dele: Inimigos, Maias e Martins se uniram pra te fazer de Zé. E ainda: O PT da Maria tá te fazendo de Zé.
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