Não o conheço pessoalmente, mas tenho por ele profunda admiração. Além disso, gosto de lembrar que o Dr. Erik Leonardo Jennings Simões, santareno, médico neurologista formado pela Universidade Federal do Pará, turma de 1995, é filho da Selva Jennings e do Fabiano Simões, aluno mais novo da turma de 1958 do nosso, então, Ginásio Dom Amando, colega do meu irmão Estêvão, médico e que desde 1963 mora em Porto Alegre.
Penso que pela admiração e por sua origem, isto me credencia a tratá-lo proximamente, simples, assim: Erik, filho da Selva e do Fabiano.
Gosto também de lembrá-lo como sobrinho dos amigos Carlito, colega de labuta no Banco Geral do Brasil, ali na Rua do Comércio com Quinze de Novembro, lá pelos idos de 1968; do Edu, que divide a mesma paixão pelo nosso Leão Azul e para o qual demos glórias envergando seu manto sagrado; do Zeca, paixão infinita pelo volante de caminhões, e da Eilah, uma das mais felizes gargalhadas que conheço.
No barato, sem querer entregar a Eilah, são amizades de mais de cinquenta anos e que sucedem à amizade de nossos pais.
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A lembrança aproxima as pessoas e como boas energias nos ajudam a realizar grandes feitos, penso que com minha energia o ajudo nas suas empreitadas que no meu entender, às vezes beiram a santidade.
O cara é incansável em plantar coisas boas na nossa Santa, Santa Santarém, local onde nasceu e elegeu para trabalhar e viver.
Já o vi em passeios de bicicleta acompanhado de seus filhos numa campanha incentivando a população se exercitar mais; já o vi na corrida do “Outubro Rosa” em apoio à campanha de prevenção ao câncer de mama e já o vi praticando “paraglide” no Pajuçara, colorindo o céu em um abençoado dia de folga.
Mas já vi ou li muito mais e esse lado que não está nas ruas e nem nos céus, é o que mais me encanta e me enche de orgulho desse conterrâneo que não deixou seu coração se perder nas entranhas obscuras do “oba oba”.
Escritor, “Paradô: Histórias vividas por um neurocirurgião da Amazônia”, conta histórias presenciadas e vividas pelo autor focando as dificuldades e o prazer em seus anos de prática da medicina na Amazônia, lidando com pessoas, algumas das quais nunca estiveram na cidade.
Recentemente, dia 23/04, representando a Secretaria Especial de Saúde, em audiência pública na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, denunciou como questão nacional e não local a contaminação com metilmercúrio pela extração ilegal de ouro na cabeceira do Rio Tapajós.
A contaminação já alcança até mesmo quem vive em Santarém, principalmente pelo uso e consumo da água e dos peixes, base da alimentação da população.
Aqui ele abraça uma causa que já nos anos 90 era bandeira de luta do Dr. Fernando Branches, meu amigo desde os tempos de Dom Amando, roubado de nós por um tumor maligno.
Já li um texto de sua autoria onde ele se cobrava do pouco tempo que dedicava no acompanhamento humanitário aos pacientes. Tal cobrança nascia de uma visita rotineira que fazia em um final de semana a seus pacientes internados e lá encontrou voluntários papeando descontraidamente com pacientes, dedicando seu final de semana a essa obra de amor ao próximo.
Nunca vi ou soube de um médico que tivesse essa profunda percepção.
Já li da sua preocupação com o povo Zo’é, inclusive participando de mutirão de cirurgia de catarata na própria aldeia em que moram, evitando que os anciãos índios se deslocassem até à cidade.
A propósito, o nome de seu livro, “Paradô”, significa reunião na língua Tupi falada pelos índios Zo’é.
Acompanhei sua luta na busca do corpo do seu primo, Dr. Paulo Marques Jennings, santareno, que desapareceu num mergulho em frente a Óbidos.
Cardiologista residente em São Paulo, anualmente visitava a “Terrinha” para matar a saudade, reunir amigos e pescar. Seu corpo desapareceu e Erik foi incansável enquanto não diminuiu a dor dos amigos e familiares. Com a ajuda de pescadores coletou víscera de peixes carnívoros e por um exame de DNA feito em São Paulo, conseguiu o atestado de óbito.
Já li que num final de semana, à míngua de transporte fluvial público, usou sua própria lancha para buscar na cabeceira do Rio Arapiuns e levar até um hospital em Santarém, uma criança que corria risco de morte e, para completar, deu-lhe a assistência médica necessária.
Aqui peço licença para contar um grande susto vivido por minha família. Recentemente uma sobrinha estava prestes a fazer uma cirurgia cardíaca e para acalantar meu coração, recebi um texto enviado por minha irmã, intitulado “Mãos de Cirurgião”.
O texto conta a história de Luana, “uma menina do interior de Oriximiná, que subitamente começou a ter fortes dores de cabeça e perder a visão. Os exames mostraram um grande tumor em seu cérebro, localizado profundamente. A retirada cirúrgica oferecia grandes riscos de morte e sequela. Mas o procedimento cirúrgico era a única alternativa capaz de salvar sua vida. Durante a cirurgia, a lesão foi saindo suave e facilmente. O tumor foi se soltando das áreas profundas e vitais de seu cérebro e minhas mãos nunca estiveram tão firmes. Parecia que tinham um rumo e ritmo próprio alheios a minha vontade.
Uma sensação estranha, como poucas vezes tinha vivido. No dia seguinte a cirurgia, Luana abriu os olhos, movimentou braços e pernas e surpreendentemente não apresentava nenhuma sequela grave. Sua mãe, uma senhora humilde que sempre morou no interior de Oriximiná chega comigo e fala: ‘doutor, muito obrigado. Sei que o senhor não esperava por este resultado, mas Jesus emprestou as mãos dele para o senhor operar minha filha’ ”.
O médico conta que agradeceu as palavras mas usou da mesma técnica: “Sempre que alguém evoca alguma figura divina como sendo responsável por um bom ou mau resultado,permaneço com profundo respeito, mas adoto uma postura poética de Vinicius de Moraes que fala em sua canção: ‘e eu que não creio, peço a Deus por minha gente, é gente humilde que vontade de chorar’”.
Ele conta que seria difícil imaginar Jesus sem suas mãos porque as havia emprestado para operar Luana.
A biópsia revelou que o tumor era benigno, a paciente retornou outras vezes até ser considerada curada e aquele caso foi sobreposto e se apagou do “HD” físico do médico.
A narrativa continua: doze anos depois, em uma viagem de férias a Itália, entrando na Igreja de São Pedro em Gênova, perto da porta principal da igreja, ao olhar para a direita, ali estava uma escultura de Cristo, sem as duas mãos, olhando fixamente para ele. Um frio e arrepio subiu seu corpo.
E mais! Numa placa à direita da imagem estava escrito: “Cristo não tem mais suas mãos e está pedindo que nossas mãos façam hoje a sua ação!”.
“Eram as mesmas palavras daquela mãe do interior de Oriximiná. Teria ela vindo até a Itália, ou seria mais uma coincidência? Cantei um trecho da canção de Vinícius, mas também rezei baixinho por aquela mãe e por meus pacientes. Sem ninguém ver”.
O emocionante, humano e belo texto termina com um convite: “Para os que creem desejo que usem as mãos que faltam em Cristo para fazermos um mundo melhor”.
Sabem quem é o autor do texto “Mãos de Cirurgião”? Sabem quem viveu e divide essa história emocionante conosco?
Sim! O neurocirurgião santareno, Dr. Erik Leonardo Jennings Simões, para mim, com o respeito devido, SIMPLESMENTE, ERIK!
Preciso explicar mais a minha admiração?
–* É advogado e economista santareno. Reside no Rio de Janeiro, de onde escreve regularmente neste blog.
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