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O céu está mais azul, chegou Machadinho. Por Helvecio Santos, Machadinho
Machadinho, franciscano e católico fervoroso

Vai-se “Machadinho”, a nossa “voz de ouro”, talvez o último seresteiro representante da época de uma Santarém romântica, ninada nas noites enluaradas por ele e outros como Armando Soares, Expedito Toscano, Paulo Bolero, Demétrio, tudo conferido pelo cavaquinho de ouro do mestre Laudelino Silva.

Elegante no porte, sempre com camisa por dentro da calça, sapatos brilhando e cabelo no estilo, a gentileza, a educação, o cavalheirismo, a atenção a todos, completavam sua marca registrada.  

Helvecio Santos (*)

Copiando Wilson Batista, eu diria “Chora Santarém inteiro,/ O “Machadinho morreu”/…/ “Na voz do seu plangente violão,/ Ele deixou, seu coração/ Partiu, disse adeus, foi pro céu/ Foi fazer, foi fazer,/Companhia a Noel” e também ao Dr. Emir, “seu” Laudelino, “seu” Francisco, “seu” Otaviano e tantos outros santarenos que ajudaram a lustrar nossa cidade com esse brilho que encanta e cativa a todos.

Músico, cantor, seresteiro, amigo e azulino, membro da Academia de Letras e Artes de Santarém, católico fervoroso, dirigiu os grandes eventos religiosos e ajudou a construir a belíssima Igreja do Santíssimo.

Dirigente em inúmeras gestões e torcedor fanático do São Francisco, o nosso Leão Azul, cantou “Santo de casa não faz milagre / mas o São Francisco faz”, numa das inúmeras goleadas sofridas pelo time do Clube Remo em Santarém; cantou “Vai já, vai já, Papão,/Vai já, bebê chorão/ Vai já, vai já, Papão/Que em Santarém tu não ganha o Leão”; cantou “Madureira chorou”, quando da derrota deste na reinauguração do Elinaldo Barbosa.

No time vencedor do Leão que joguei em 69/70, nossas conquistas eram festejadas em churrascos na casa do amigo Jereco (Jeremias) ali na Prainha, ou na casa do “seu”Dídimo.

E como havia churrasco!

Em todos lá estava “seu” Machadinho com seu plangente violão a nos brindar, com “Sentimental Demais” ou “Não mereço você”, fazendo-nos esquecer de Altemar Dutra e Agnaldo Rayol.

Demos muita alegria a nós, jogadores, aos torcedores e em particular a meu amigo que hoje se vai.

 

Ao lado de outros azulinos como Francisco Coimbra, Osmar Simões, Otaviano Matos, José Maria Matos, Ubaldo Matos e Sérvulo Matos, foi um gigante na luta para aquisição do prédio da primeira sede própria do Leão, ali na Avenida Rui Barbosa, sede perdida pela incúria de dirigentes irresponsáveis.

Vai-se Machadinho e mesmo sendo lugar comum, mas neste caso muito verdadeiro, Santarém fica mais pobre.

Meu querido e inesquecível irmão Eriberto está feliz! Já deve estar preparando uma edição do “Nossa Serenata, falando de coração para coração”, com “seu” Machadinho, Dr. Emir, “seu” Laudelino, Demétrio, Paulo Bolero e outros mais.

O céu está mais azul, a lista dos que já foram é grande, e Santarém está ficando cada vez mais sem graça!

É a vida. Temos que aceitar, mas não posso deixar de dizer: que pena!


* É advogado e economista. Santareno, reside no Rio de Janeiro. Escreve regularmente neste blog.

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2 Comentários em: O céu está mais azul, chegou Machadinho. Por Helvecio Santos

  • Meu amigo Helvécio, sua homenagem ao nosso querido e inesquecível amigo-irmão Machadinho, tenho a certeza de que todos nós que o conhecemos estamos de acordo com seus escritos. Quero só acrescentar que Machadinho foi uma das melhores
    Pessoas que conheci e convivi em Santarém.

  • Belas palavras, meu nobre amigo Helvécio. Realmente o céu estará mais azul e feliz a partir de hoje, com o reforço substancial do querido Machadinho no time de artistas santarenos, natos ou adotivos, que tão bem souberam representar a arte da música e da poesia quando cá estiveram. Abraços. Laudelino Filho.

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