Jeso Carneiro

Empresa investigada por sumiço de ambulâncias em Santarém deixa rastro de carros fantasmas em Mojuí

Empresa investigada por sumiço de ambulâncias em Santarém deixa rastro de carros fantasmas em Mojuí
A empresa foi alvo de operação da PF em abril deste ano. Foto: reprodução

A empresa que ganhou a licitação da Prefeitura de Santarém (PA) para a aquisição de ambulâncias, recebeu os recursos e não entregou os veículos, está envolvida em um esquema similar no município de Mojuí dos Campos, oeste do estado. Um processo contra ela já foi aberto e tramita na Justiça para cobrar o rombo deixado aos cofres públicos.

A fornecedora no centro da polêmica é a Aliança Comércio e Serviços Ltda., com sede em Ananindeua. Em Santarém, o sumiço de três ambulâncias pagas antecipadamente por R$ 855 mil levou a Polícia Federal a deflagrar a operação “Emenda Fantasma”, revelando fortes suspeitas de apropriação indevida de verba da saúde.

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Em Mojuí dos Campos, a tática foi parecida. A prefeitura, gestão do prefeito Jailson Costa, moveu uma ação contra a empresa e ex-membros do alto escalão do município, gestão do ex-prefeito Marco Antônio Lima (2000-2024), por conta de uma grave irregularidade na compra de 5 caminhonetes Mitsubishi L200 Triton, que deveriam reforçar a frota da Saúde local.

O município pagou a conta do contrato, que ultrapassava R$ 1,3 milhão, mas a empresa entregou apenas quatro carros.

Câmbio manual

Para piorar a situação, a fornecedora entregou uma caminhonete de câmbio manual — que é muito mais barata —, mas faturou e recebeu o pagamento pelo preço de um modelo automático. Essa manobra causou um prejuízo direto de R$ 351.900,00.

Como agravante, até hoje os veículos entregues sequer foram passados para o nome do município, permanecendo registrados no nome da empresa investigada ou de terceiros.

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O escândalo arrastou líderes da gestão passada. O ex-prefeito Marco Antônio Machado Lima, o ex-secretário de Administração Ediclei Jadson da Silva Gomes e o ex-secretário de Saúde Glayton Jean da Silva Rodrigues estão entre os acusados. Eles são acusados de liberar o pagamento e assinar os documentos atestando que estava tudo certo, mesmo sabendo que faltava um carro e que o modelo entregue era diferente e inferior ao que havia sido comprado.

O juiz responsável pelo caso, Claytoney Ferreira, da Vara de Fazenda de Santarém, negou as tentativas de defesa para encerrar o processo antecipadamente e determinou que a apuração avance para a fase de provas.

Um perito contábil já foi convocado oficialmente para vasculhar os documentos e comprovar a extensão do golpe aplicado contra a saúde de Mojuí dos Campos.

O JC não conseguiu falar com o responsável empresa. O espaço, no entanto, continua aberto para as suas manifestações.

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