Jeso Carneiro

Por questão de segurança, Seap transfere para Belém advogado suspeito de matar companheira em Santarém

Por questão de segurança, Seap transfere para Belém advogado suspeito de matar companheira em Santarém
Wlandre Leal, advogado acusado de feminicídio em Santarém. Foto: reprodução

O advogado Wlandre Gomes Leal foi transferido na tarde desta terça-feira (28) para a Região Metropolitana de Belém (PA). A transferência foi realizada de carro pela Seap (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária), órgão do governo responsável pela gestão das prisões.

O JC apurou que o investigado foi levado pela Seap para a UCR (Unidade de Custódia e Reinserção) Santa Izabel III, localizada no município de Santa Izabel do Pará. O presídio é destinado a pessoas presas de forma provisória.

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A transferência, ainda conforme o JC apurou, foi motivada exclusivamente por razões de segurança.

Essa movimentação repentina ocorre apenas um dia após a Justiça decidir manter o advogado preso em Santarém, atendendo a um pedido formal por escrito enviado pela própria defesa de Wlandre.

Na ocasião, a defesa do investigado e a administração penitenciária haviam garantido que o Complexo Prisional de Santarém apresentava totais condições de isolar o suspeito e garantir a sua segurança física. Contudo, a avaliação de segurança do Estado mudou, forçando a transferência dele para a capital.

Cronologia do caso

Wlandre Gomes Leal é investigado pela morte de sua companheira, Thainá Yarina dos Santos Cardoso, de 29 anos, ocorrida no último dia 19 de julho. O caso começou quando o advogado foi preso em flagrante suspeito de cometer feminicídio dentro do apartamento em que o casal morava, no bairro Aparecida.

Naquela noite, o suspeito acionou o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e a Polícia Militar alegando que a companheira teria tirado a própria vida após uma discussão e briga física entre os dois.

A versão apresentada pela defesa foi descartada de imediato pela polícia.

O delegado responsável pelas investigações descartou a tese de suicídio sustentando que os vestígios colhidos no local eram totalmente incompatíveis com a alegação.

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Entre as principais provas periciais está a grande diferença entre o tamanho do corte no peito e o tamanho da lâmina da faca apreendida: a faca recolhida possuía apenas 2,5 centímetros de largura, enquanto o grave ferimento no corpo de Thainá media cerca de 10 centímetros.

Com base na gravidade do cenário de luta corporal e na demora injustificada para o acionamento do socorro médico, a Justiça decretou a sua prisão por 30 dias (a chamada prisão temporária, uma prisão com prazo preestabelecido por lei para garantir o andamento seguro das investigações).

Paralelamente, a OAB-PA (Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará) suspendeu provisoriamente o direito de Wlandre advogar, abrindo um procedimento ético para avaliar a conduta profissional do investigado.

O impasse da sala de Estado maior

A transferência de Wlandre para a Região Metropolitana de Belém coloca fim a um complexo impasse estrutural na cidade de Santarém. Conforme noticiado pelo JC, a falta de Sala de Estado-Maior em Santarém gerou um debate sobre a legalidade da detenção, uma vez que a lei assegura a advogados provisoriamente presos o direito a esse tipo de instalação especial (um ambiente digno, sem celas comuns com grades).

Na tentativa de resolver o problema jurídico, o juiz Sidney Pomar Falcão ordenou que a Seap se posicionasse oficialmente sobre a existência do espaço ou transferisse o advogado para a unidade adequada mais próxima. Com o deslocamento para Belém, o investigado aguardará a conclusão do inquérito policial em instalações que cumprem as exigências do ordenamento jurídico.

O caso continua tramitando sob sigilo.

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