Doutorando em Direito pela Universidade de Salamanca (Espanha), o advogado e professor Ítalo Melo, 36 anos, é um dos novos nomes em ascensão da política partidária em Santarém, oeste do Pará.
No sábado (18), ele se filiou ao Cidadania (antigo PPS), em ato ocorrido no sábado (18), em encontro regional do partido.
Pai da Maria Cecília, de 5 anos, Ítalo inicia seu projeto político no momento conturbado — em que setores da sociedade brasileira criminalizam, com bombardeio diário nas redes sociais principalmente, a política. Vozes populistas, como a do presidente Jair Bolsonaro, ecoam essa catilinária.
Para o advogado, essa é uma fase que se precisa dá espaço à razão.
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“Acredito que uma opinião mais ponderada, técnica, não ideológica é o que precisamos”, disse ao blog.
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— 1. Por que a decisão de ingressar na política partidária em um momento que essa atividade está sob intenso bombardeio, alvo de pesada criminalização de setores da sociedade brasileira?
— Ítalo Melo: Reconheço que o momento político pelo qual passamos não é fácil. As sucessivas crises institucionais produziram uma grave crise econômica e a polarização política. As redes sociais são uma manifestação disso tudo e mostrou um lado terrível das pessoas e pior, das próprias instituições. É verdade que eu poderia continuar com a minha vida mesmo com esses tumultos. A questão é que essa loucura toda passou a incomodar demais. Assim, me senti obrigado, reconhecendo as minhas próprias limitações, a opinar sobre essas questões com um pouco de razão. Acredito que uma opinião mais ponderada, técnica, não ideológica é o que precisamos. A política não é o verdadeiro mal, mas a forma como ela está a ser aplicada é que se mostra problemática. Em sua verdadeira essência, a política é a capacidade de construção, um caminho para se estabelecer pontes, a fim de se superar divergências. Estou encontrando alguma pessoas que também enxergam as coisas de forma parecida e isso me anima cada vez mais.
— 2. Qual a prática política que o senhor pretende adotar?
— Ítalo Melo: Entendo que a nossa marca política tem que ser a transparência, a qual hoje está reconhecida como princípio do nosso sistema jurídico. Gosto de explicar para as pessoas que a transparência pode ser entendida de uma maneira muito simples como a verdade. Realizando uma política de construção, podemos agregar pessoas e mostrar um caminho para a nossa comunidade. Outra pauta que entendo importante e que também se relaciona com a primera é denunciar o populismo. Queremos pensar os problemas da cidade pelo ponto de vista técnico e dialogar com a pessoas através da verdade. O marketing político e o populismo são nada mais do que a mentira. Os representantes públicos tem que estar preparados para assumir os encargos juntos à população. A administração pública é um sistema complexo que exige do representante muito conhecimento e capacidade de diálogo com as diferentes forças existentes na sociedade.
— 3. Quem na política lhe serve de inspiração?
— Ítalo Melo: Em um período em que a classe política está muito desacreditada, acho interessante lembrar que existem bons nomes com esse perfil de estadistas que servem de inspiração. No plano internacional, gosto muito da postura do Papa Francisco. Também admiro muito o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, que é professor da Faculdade de Direito em Lisboa. Aliás, em Portugal é bastante comum que professores de renomadas instituições sejam representantes políticos. Graças a capacidade desse senhor, Portugal passa hoje por um ótimo momento de recuperação social e econômica. Aqui no Brasil eu posso citar o nome do professor Cristovam Buarque, que é filiado ao nosso partido e já foi candidato à Presidência da República e senador pelo Distrito Federal. Sem dúvida, um grande defensor da educação e um homem público de muito coerência e de fortes convicções.
— 4. O Cidadania vai ter candidatura a prefeito em 2020 em Santarém?
Ítalo Melo: Sim, a prioridade é apresentar uma candidatura própria. Todavia, não estamos fechados para o diálogo. Temos as nossas convicções e buscamos pessoas que possam compartilhar das mesmas ideias. É uma construção que tem ter como objetivo o melhor para a nossa cidade.
— 5. A cidade não está melhor com o prefeito Nélio Aguiar? Não houve avanços em relação à gestão de Alexandre Von?
— Sou um crítico da forma como o prefeito Nélio administra a cidade. Em minha visão pessoal, falta ao prefeito conhecimento sobre as suas próprias atribuições. O seu relacionamento com o Ministério Público não é institucional, mas de submissão. Para mim, o MP tem um papel fundamental dado pela Constituição Federal de 1988, porém entre essas importantes atribuições não está aquela de administrar o município. Lembro do caso da remoção dos feirantes do tablado que foi imposta ao município, sob o argumento de questões sanitárias, as quais não foram sanadas no novo local. De um modo geral, as políticas públicas pioraram, basta ver o caso da saúde. Além disso, não há transparência nos contratos públicos que foram assinados, como no caso da contratação da OS que administra o hospital municipal e no caso da licitação dos transportes rodoviários no município. Entendo que o governo Von também enfrentou dificuldades e limitações, em razão da conjuntura política por que passou, com o agravamento da crise econômica. Porém, o goberno Nélio, para mim, além dessa condição, sofre em razão da necessidade de se manter através dos compromissos políticos que assumiu e da falta de condições técnicas de apresentar um projeto político para a nossa cidade.
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