Jeso Carneiro

Abandonar ou restruturar o plano de saúde do Iasep?

por Airton Faleiro (*)

Airton Faleiro

Iniciamos o ano de 2017 com aumento de 50% na contribuição dos servidores do estado ao Iasep, ou seja, com a nova medida, enviada pelo Governo do Pará e aprovada na Assembleia Legislativa, se elevou de 6% para 9% a contribuição.

Diante do impacto no contra-cheque, muitos servidores correram e se desfilaram do Iasep e, assim, deixaram de contribuir. Ao fazer isso, deixaram também de terem a cobertura de um plano público de saúde.

Na condição de legislador do estado, me sinto no dever de tratar deste assunto, por mais complexo que seja. Além disso, sou filho de professora aposentada, usuária do Iasep.

Para melhor esclarecer, devo dizer que fizemos de tudo para convencer o governo do estado de que a reforma, em que pese ser necessária, aos moldes que o governo enviou para a Assembléia Legislativa, se apresentava como um risco e não uma solução para reerguer o Iasep.

“Cantamos essa pedra” de que com um aumento exagerado e sem um cronograma mais flexível para pagamento poderia haver uma corrida para desfiliação e isso poderia quebrar o instituto.

Penso que a desmotivação em prosseguir pagando se deve a três fatores:

1- Alto aumento da contribuição;

2- Baixa qualidade dos serviços prestados hoje e restritos a Belém;

3 – Falta de confiança na gestão do órgão;

Diante do período de recesso, durante o mês de janeiro, tive a oportunidade de conversar com servidores da ativa e aposentados que me deixaram mais preocupado ainda, pois sinalizam com o abandono do plano ficando em uma condição de vulnerabilidade no atendimento a saúde.

Segundo uma professora servidora, a classe de professores está sofrendo um descaso muito grande, pois além de não receberem o piso salarial, em Altamira, estão diante de mais esse absurdo.

“O Iasep, plano de saúde dos servidores estaduais, sofreu um aumento absurdo. No meu caso em particular, passou de R$ 268,00 para R$ 402. Mas o maior problema é que, como os médicos e clínicas não recebem a mais de seis meses, todos suspenderam os atendimentos. Ou seja, pago R$ 402,00 para não ser atendida”, afirma a servidora.

Outra situação, explica um tenente do Corpo de Bombeiro, em Santarém, é a descrença da corporação para mudar essa realidade. “Nós buscamos uma audiência com o Iasep, aqui em Santarém. Ocorre que a grande maioria das tropas de bombeiros e policiais militares se mostrou frustrada com os últimos acontecimentos (aumento de contribuição), onde não temos a contrapartida desde 20 de abril de 2016, sendo que até a presente data, após levantamento, tivemos a saída de cerca de 500 servidores do plano, o que vem inviabilizando qualquer tentativa para uma audiência, pois estão todos descrentes que mude algo”, afirma o tenente.

Na próxima terça-feira, deve ser realizada uma reunião do grupo “Todos pela Saúde”, do Iasep, para movimentar os servidores no município.

Diante dessa situação, me pergunto qual o melhor caminho:
– o governo rever esta medida, baixando o valor da contribuição e alongando os prazos para pagamento?
– travamos uma luta pela estruturação e funcionamento com qualidade do Iasep?

– Por último, se faz necessário perguntar como vai ficar a situação de um servidor já com idade avançada, saindo do plano do estado, e correndo para o SUS, ou então querer a esta idade entrar em um plano privado onde os valores são cobrados de acordo com a idade da pessoa?

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* É deputado estadual reeleito pelo PT. Escreve periodicamente neste blog.

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