Jeso Carneiro

Café gourmet da Câmara é 85% mais caro que o servido no gabinete do prefeito de Santarém

Café gourmet da Câmara é 85% mais caro que o popular servido ao prefeito de Santarém
Jandeilson Pereira, presidente da Câmara em discurso na tribuna da Casa. Foto: CMS

Um comparativo entre as compras públicas do Executivo e do Legislativo de Santarém (PA) revela que cafezinho a ser servido aos vereadores pode custar quase o dobro do valor pago pelo produto consumido na Secretaria Municipal de Governo (Semg), responsável por abastecer a despesa do prefeito Zé Maria Tapajós (MDB).

A diferença nos valores chega a 85%, impulsionada pela escolha da Câmara, gestão do vereador-presidente Jandeilson Pereira (União) por uma bebida de alto padrão, enquanto a prefeitura optou por manter a versão popular.

No ano passado (2025), a Secretaria de Governo concluiu sua licitação e adjudicou (contratou) a compra do café de consumo diário, da marca Abaeté, pelo valor de R$ 12,50 o pacote de 250 gramas. A contratação foi fechada em 150 fardos (com 20 pacotes cada) pelo total de R$ 37,5 mil.

Em contrapartida, a Câmara de Vereadores estabeleceu em seu edital de 2026 um valor de referência estimado em R$ 23,15 por pacote do mesmo peso. Se a aquisição de seus 3.600 pacotes previstos for concluída por este preço base, o Legislativo pagará R$ 10,65 a mais por unidade, o que representa um custo 85,2% superior ao do Executivo.

Licitação em curso

É importante frisar, porém, que o processo licitatório da Câmara Municipal (Pregão Eletrônico Nº 003/2026) ainda está em curso e encontra-se na fase de disputa. O montante de R$ 23,15 representa o “valor médio” de referência da pesquisa de mercado, ou seja, um teto máximo estipulado.

O valor real da compra poderá cair dependendo dos lances oferecidos pelas empresas fornecedoras.

A forte disparidade nos preços se justifica pela diferença estrutural entre os dois produtos licitados. O café não é o mesmo.

A Secretaria de Governo adquiriu um café de características básicas e populares, exigindo essencialmente a certificação do selo de pureza da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC).

A Câmara, por sua vez, mudou seu padrão e passou a exigir um café “premium” ou “tipo superior” – café gourmet. A bebida servida aos parlamentares deverá ser feita exclusivamente com grãos 100% arábica e precisará ser submetida a uma análise sensorial rigorosa, devendo atingir nota mínima de 4,5 pontos para atestar a excelência no sabor e no aroma.

Confira a descrição oficial dos dois cafés nos respectivos editais:

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