Jeso Carneiro

Corredor Leste-Oeste de R$ 177 milhões falha ao ignorar comércio e rotas de ônibus em Santarém, alerta arquiteto

Corredor Leste-Oeste de R$ 177 milhões falha ao ignorar comércio e rotas de ônibus em Santarém, alerta arquiteto
Anísio Quincó, mestrando em gestão de cidades. Foto: reprodução/vídeo TV JC

O arquiteto e mestrando em Gestão de Cidades pela Universidade de Buenos Aires, Anísio Quincó, apontou falhas no planejamento do novo Corredor Leste-Oeste, obra orçada em R$ 177 milhões pelo Governo do Pará. Durante entrevista ao jornalista Jeso Carneiro, nos estúdios da TV JC, o especialista avaliou o impacto do projeto para Santarém, oeste do estado.

Anísio Quincó destacou que, apesar de a via ser essencial para o fluxo urbano, o modelo atual prejudicará o comércio local ao eliminar estacionamentos e cria faixas de ônibus sem base no real fluxo de passageiros do município.

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Impactos na mobilidade

A nova via interligará a área do terminal hidroviário localizado no bairro da Prainha até a rodovia Fernando Guilhon, acompanhando a expansão urbana de Santarém para a zona oeste. Para Anísio, a injeção de R$ 177 milhões na economia gera empregos e o novo acesso ajuda a descentralizar os serviços. A oferta de infraestrutura em áreas mais afastadas reduz a pressão sobre o centro e valoriza terrenos periféricos.

“Quando a gente começa a criar novas ofertas de serviço de mobilidade, de serviço perto de casa, esses terrenos da periferia começam a ficar mais valorizados. Ou seja, dá uma equalizada na cidade, deixando a cidade menos desigual”.

Apesar do alto investimento, o arquiteto fez ressalvas críticas ao desenho do projeto na avenida Borges Leal. O bloqueio de áreas de parada de veículos pode afastar consumidores, e o desenho da nova malha de transporte levanta dúvidas sobre a sua eficácia.

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“No dia um que essa obra for inaugurada, não vai ter estacionamento na Borges Leal. Isso aí pro comércio é um pouco complicado, porque comércio é estacionamento”.

Ele também questionou a criação de uma canaleta exclusiva para o transporte público em uma rota secundária para os passageiros. “Senti falta nesse projeto de um estudo prévio de viagens, de origem e destino, de mobilidade. Não tem assim um estudo que embase a área de mobilidade”.

O gargalo do tráfego pesado no Maicá

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Além do Corredor Leste-Oeste, o arquiteto avaliou a pressão que a infraestrutura local vem sofrendo com a chegada das carretas e bitrens com destino aos portos do Maicá. Segundo ele, Santarém não foi pavimentada ou desenhada para suportar veículos de 27 toneladas atravessando os bairros, o que gera poeira e destrói o asfalto.

Como prioridade na gestão pública, Quincó defende a abertura de uma rota alternativa ligando a rodovia Cuiabá à Curuá-Una e descendo pela Transmaicá. “A gente tem que separar esse tráfego mais pesado para chegar lá no porto e a sociedade viver melhor”, pontuou.

Pensando no futuro de Santarém, que se aproxima de meio milhão de habitantes em sua região metropolitana, o urbanista ressaltou a urgência de remodelar o transporte coletivo. Ele defende a implementação do que apelidou de “Sistema de Transporte Mocorongo” (STM), que incluiria bilhetagem eletrônica unificada e terminais de integração, permitindo que a população pague apenas uma passagem para se deslocar por toda a cidade de forma ágil.

A entrevista completa, com todos os detalhes sobre a gestão urbana, o mercado imobiliário e os bastidores dos desafios estruturais de Santarém, pode ser assistida abaixo.

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