
Em entrevista à TV JC, o professor e pesquisador Everaldo Portela, sociólogo da Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Pará), revelou graves inconsistências nos estudos ambientais da mineradora Alcoa em Juruti.
Portela, que monitora a região há três décadas, apoia a recente recomendação do Ministério Público Federal (MPF) contra a empresa e alerta para o crescimento exponencial do volume de sedimentos retirados do Rio Amazonas, o que sugere um “afundamento do leito” para a passagem de navios maiores, e não apenas manutenção.
Falta de transparência
Segundo o professor, o volume de material dragado pela Alcoa saltou de 900 mil m³ em 2023 para uma previsão de 7 milhões de m³ em 2025. Para Everaldo Portela, a empresa nunca foi explícita sobre o real propósito desse aumento.
“Um crescimento exponencial que nos fazia imediatamente desconfiar que já não se tratava apenas de uma dragagem de manutenção, mas realmente era de afundamento do leito do rio”, afirmou.
— ARTIGOS RELACIONADOS
- MPF pede anulação de licenças e suspensão de dragagem feita pela Alcoa no rio Amazonas em Juruti
- Ativista Marcos Meireles critica prefeito de Monte Alegre: “Gestão pública não é apenas apagar fogo”
- Médicos do Pará articulam aprovação de piso salarial inédito no país para corrigir salário base de R$ 2 mil
O sociólogo aponta que cerca de 1.000 famílias são afetadas diretamente pelas atividades. Além do assoreamento de canais e lagos que dificulta a navegação ribeirinha, estudos técnicos identificaram a presença de metais pesados nos sedimentos, como cádmio, cromo e níquel.
A suspeita é que a contaminação ocorra no porto da Alcoa em Juruti e seja “ressuspendida” pela dragagem, entrando na cadeia alimentar através dos peixes. “Esses metais pesados causam diversos problemas de saúde, afetam rins, fígado, pele, pulmão e cérebro”, alertou Portela.
Manobra para evitar fiscalização
Outro ponto crítico destacado na entrevista é o desenho das áreas de impacto feito pela mineradora, que se restringem aos limites do município de Juruti. Portela argumenta que isso é uma estratégia para manter o licenciamento na esfera estadual (Semas).
“Se ela colocasse além da área do município, teria que se criar uma outra licença intermunicipal e isso teria que acabar indo para a mão do Ibama, e o estudo teria que ser muito mais complexo”, explicou o professor.
Futuro da Amazônia
Everaldo Portela encerrou a entrevista com um prognóstico preocupante sobre o avanço da soja e da mineração na região, prevendo que os conflitos entre grandes empreendimentos e populações tradicionais tendem a aumentar. Ele defende que a solução econômica para a Amazônia passa pela pesquisa e valorização da “floresta em pé”, citando o potencial inexplorado da indústria farmacêutica local.
Abaixo, a íntegra da entrevista. Assista!
O JC mais perto de você! 📱
Gostou do que leu? Siga nossos canais e receba notícias, vídeos e alertas em primeira mão:
Sua dose diária de informação, onde você estiver.
Deixe um comentário