
Em entrevista à TV JC, a médica e diretora do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), Nástia Irina, revelou detalhes de uma mobilização histórica que coloca o Pará na liderança de uma luta nacional: a criação de um piso salarial estadual para a categoria.
Atualmente, o estado apresenta uma das remunerações base mais baixas do país, o que tem gerado precarização e esvaziamento do serviço público de saúde.
Abismo salarial na saúde pública
De acordo com Nástia Irina, a realidade financeira dos médicos concursados pela Sespa (Secretaria de Estado de Saúde Pública) é crítica e desconhecida pela maioria da população. O salário base atual gira em torno de R$ 2.050,00, chegando a um valor bruto de aproximadamente R$ 4.300,00 após gratificações.
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“É absolutamente incompatível com a responsabilidade do trabalho médico. É injusto em função da responsabilidade de lidar com vidas e com a saúde pública”, afirmou a sindicalista em entrevista à TV JC.
A proposta defendida pelo sindicato, formulada com apoio técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), prevê um piso de R$ 13.000,00 para uma jornada de 20 horas, valor que busca equiparar a remuneração a outras carreiras de estado, como a de juízes e advogados públicos.
Articulação na Alepa
A luta já chegou à Assembleia Legislativa do Pará (Alepa). O sindicato escolheu a deputada Maria do Carmo como principal interlocutora para sensibilizar o governo do estado. Uma sessão especial já foi realizada em março para introduzir o debate, que agora deve avançar pelas comissões de Saúde, Finanças e Constituição e Justiça.
A estratégia é convencer o Executivo de que a valorização financeira é a única forma de fixar profissionais no estado e garantir o sucesso de novos concursos públicos, visto que editais recentes têm sido pouco atrativos.
Impacto no atendimento ao cidadão
Nástia Irina enfatizou que a luta pelo piso não é apenas corporativa, mas de interesse público. Segundo ela, a má remuneração impacta diretamente na qualidade do serviço prestado nos hospitais e UPAs de Santarém e região.
“Lutar pelo piso não é apenas uma luta da categoria, é também uma luta para melhorar a prestação do serviço à população. Se você precariza o trabalho, não há possibilidade de carreira, e isso tem impacto direto na assistência.”, pontou.
Judicialização e violência
Outro ponto alarmante abordado na entrevista à TV JC foi o aumento de processos contra médicos e casos de violência física e verbal nas unidades de saúde. Para a diretora do Sindmepa, o médico muitas vezes se torna o “alvo fácil” de frustrações da população por falhas estruturais das quais ele não tem controle, como falta de medicamentos ou equipes reduzidas.
Irina orientou que o cidadão utilize os canais de ouvidoria da Sespa, do município e o Conselho Municipal de Saúde para cobrar o poder público por melhorias estruturais, em vez de focar apenas no profissional da ponta.
Assista à entrevista completa à TV JC:
Entrevista: Nastia Irina explica a luta pelo piso salarial dos médicos no Pará
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