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Um esquema sofisticado de desvio de dinheiro público, estruturado por meio de empresas de fachada e “sócios-laranjas”, pode ter provocado um rombo de mais de R$ 50 milhões aos cofres da Prefeitura de Itaituba, sudoeste do Pará, apenas no ano de 2024.
A engrenagem, que teria beneficiado a antiga e a atual gestão do executivo itaitubense, virou alvo oficial das autoridades nesta segunda-feira (27), após a formalização de uma denúncia no Ministério Público do Pará (MPPA) pelo deputado estadual Wescley Tomaz (Avante).
Sete empresas envolvidas
As acusações que embasam a denúncia revelam a contratação sistemática de um grupo de pelo menos 7 empresas. No papel, elas fecharam contratos milionários para fornecer desde materiais de construção e cimento até serviços de logística para a Seminfra (Secretaria Municipal de Infraestrutura) e outros órgãos.
Na prática, levantamentos in loco e análises de dados indicam que essas empresas não possuem capacidade operacional, funcionários, equipamentos ou sequer um endereço físico verdadeiro.
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Além da ação do parlamentar no MP, o caso já foi levado à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal (MPF) por meio de representação criminal.
Esquema todo documentado
O documento cruza dados abertos do Portal da Transparência de Itaituba e aponta que a sangria dos recursos públicos teria uma finalidade clara: o financiamento do grupo político liderado pelo ex-prefeito Valmir Clímaco (MDB) e seu sucessor, o atual prefeito Nicodemos Aguiar (MDB), eleito em 2024 com 48,2% dos votos, ante 41,6% de Weslcey Tomaz.
Os números chamam a atenção pela concentração no calendário. Somente no período que antecedeu as eleições municipais — entre agosto e outubro de 2024 —, o grupo de empresas suspeitas embolsou R$ 13,4 milhões da prefeitura.
O operador central do esquema seria Magno Silva Nascimento, dono do escritório Magnum Contabilidade, que supostamente gerenciava as empresas fantasmas e colocava familiares, como seu irmão, e até funcionários em dupla função como “sócios” das fornecedoras.
Do lado de dentro da PMI (Prefeitura Municipal de Itaituba), o fluxo de pagamentos contava com a aprovação do pregoeiro da Seminfra, Ronison Aguiar Holanda, sobrinho do diretor de Compras do município.
Os crimes
Os envolvidos no esquema poderão responder por crimes de peculato, organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e fraude em licitação.
A reportagem completa, com o detalhamento das empresas e os flagrantes nos endereços fantasmas, será desdobrada ao longo dos próximos dias em uma série investigativa especial.
O JC tentou contato com a PMI, com o ex-prefeito Valmir Clímaco, com o atual prefeito Nicodemos Aguiar, bem como com Magno Silva Nascimento, Ronison Aguiar Holanda e os demais citados na denúncia, mas não obteve êxito até o fechamento desta edição.
O espaço continua aberto para o contraditório e os esclarecimentos dos envolvidos.
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