por Tibério Allogio (*)
Foram “madrugadas” de “acertos”, “brigas” e “traições”, com direito a todo tipo de surpresas e a maior delas: a candidatura pelo PT da professora Lucineide Pinheiro, realmente surpreendeu todo mundo.
A aliança do PT-PMDB não vingou, os barbalhistas queriam a cabeça de chapa a qualquer custo, chegaram até substituir Antônio Rocha com um nome mais “digerível”, mas mesmo assim o PT recusou. Enquanto isso, os demo-tucanos engordavam sua coligação, faturando no finalzinho PSB e PV.
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O resultado final do pós convenções foi o esfarelamento da base política que havia levado o PT de Maria do Carmo a uma fácil reeleição. A coligação petista, mesmo mantendo 12 partidos, perdeu consistência. O desfalque do PMDB e a traição de PSB e PV enfraqueceu objetivamente a hegemonia política petista.
Ainda assim, contará com a imagem poderosa de Lula e Dilma e da aliança com o Governo Federal, mas não gozará do apoio da maquina político-financeira do Governo do Estado, agora nas mãos tacanhas do tucano Simão Jatene.
Um fator este que deu novo folego à oposição demo-tucana, que ao desagregar o PMDB do PT e reagregar antigos aliados como o PSB e o PV, conseguiu sair fortalecida no plano local.
O PMDB, por não ter conseguido atrair força política nenhuma, seguirá sozinho, no modelo já experimentado com Domingos Juvenil. Ou seja, os barbalhistas voltam ao leilão, devendo embarcar no navio de quem vencer a eleição.
A própria presença na disputa de “micro terceiras vias” como a do PSOL e do PSC será meramente decorativa, fatalmente destinados a sucumbir por falta de base social, de tempo e de recursos.
Enfim, ainda na maldição de um turno só, gostando ou não, mais uma vez Santarém vivenciará uma eleição extremamente polarizada, e na qual, os blocos petista e demo-tucanos se enfrentarão até o último voto.
Tudo como dantes então? Nada disso ! Temos os candidatos na parada.
Com os candidatos já escolhidos, toda a movimentação política descrita acima já não vale mais. Valeu pelas articulações e coligações adquiridas, pela garantia dos recursos de campanha, pelo tempo na televisão. Mas agora, o que vale mesmo é a construção da imagem e do discurso do candidato, capaz de envolver e conquistar o eleitorado.
A professora Lucineide é a grande novidade dessa eleição. Anteriormente anunciada como candidata a vereadora, tornou-se a maior sensação ao despontar como candidata surpresa à sucessão municipal.
Com ela, o PT arriscou na aposta de mais uma mulher de temperamento, daquelas com histórico de ação social e política, que não leva desaforo pra casa, como a própria historia de Lucineide.
Mas Lucineide é uma candidata ainda pouco conhecida no corpo eleitoral santareno. Nunca disputou uma eleição, e seu maior desafio será uma corrida contra o tempo para entrar no imaginário popular, por isso sua caminhada começa na subida.
À frente da Secretaria de Educação, foi capaz de promover uma revolução na educação municipal, sem dúvida nenhuma o maior destaque do governo Maria do Carmo.
Agora, na posição de candidata, Lucineide terá o desafio de construir uma imagem que saiba valorizar sua experiência educacional, mas escapando da tentação de “candidata de uma nota só”. Uma boa gestora educacional, que agora quer tornar uma “grande gestora municipal”.
Por isso, Lucineide deverá vir com uma proposta de “radicalização das “mudanças” iniciadas na gestão Maria do Carmo, apostando na comparação dos resultados obtidos nos seus governos com os de seu antecessor e oponente Alexandre Von.
Alexandre Von já não é nenhuma novidade. Ele é um velho conhecido do eleitor santareno. Já concorreu (derrotado) à prefeitura. Foi vereador, secretário e vice-prefeito nas desastradas gestões de Lira Maia.
Por isso, sua posição na largada é muito mais confortável a da Lucineide.
Mas Von tem dois problemas que podem tornar seu “sonho” em mais um “pesadelo”.
Por ter sido “gregário politico” a vida toda, ainda depende de “padrinhos” para ter chances de se eleger prefeito. Ou seja, precisa do apoio da máquina do Governo do Estado e dos votos de Lira Maia.
Mas como candidato de Simão Jatene, sofrerá o desgaste da imagem do governador, reconhecidamente identificado como o carrasco do sonho de emancipação do Tapajós.
Como candidato de Lira Maia, sofrerá os desgastes com seus desastrados governos, sinônimos de desvio de recursos e corrupção, dos quais foi coadjuvante.
Por isso, Von terá o desafio de “reconstruir” uma nova imagem, tentando se deslocar longe da figura pesada dos seus padrinhos. Para tanto parece propenso em trocar de roupa e querer usar uma maquiagem “verde”.
A própria denominação de sua coligação “Santarém Sustentável” aponta para esse caminho. Ademais, vive elogiando o ambientalismo jatenico dos “Municípios Verdes”. Onde madeireiros e agropecuaristas, depois de ter acabado com os recursos florestais, se apesentam agora, como paladinos da reposição ambiental no estado do Pará.
Mas isso vingará ?
Será possível Alexandre Von conseguir dissociar sua imagem do ruralista Lira Maia? Aquele que votou a favor do Código Florestal? Que votou contra a PEC do Trabalho Escravo? Que quando prefeito perseguiu os movimentos sociais e ambientais? Que tentou inviabilizar a criação da Resex Tapajós/Arapiuns?
Será possível Alexandre Von dissociar sua imagem do governador do Parazinho, o perseguidor e explorador da região do Tapajós?
Em outra palavras, conseguirá Alexandre Von se apresentar como candidato, forte, autônomo, e não mais um mero gregário?
A conferir.
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* Sociólogo, reside em Santarém. Escreve regularmente neste blog.
