
Todos já ouvimos uma expressão muito conhecida de que em uma crise há também espaço para as oportunidades. Os últimos anos mostraram-se muito difíceis para o nosso país no campo político, social e econômico.
No processo político, o ponto culminante foi o impedimento da presidente da República. Na economia, os efeitos da crise ainda estão sendo sentidos por todos nós e a atual década já está sendo chamada por especialistas de “a nova década perdida”.
O que se tem como resultado de tudo isso é um empobrecimento da população agravado pelo alto índice de desemprego e uma menor presença do Estado na realização de suas tarefas básicas como segurança por exemplo.
Apesar dos graves problemas que vivenciamos, as nossas instituições permaneceram firmes na manutenção do sistema democrático. É lógico que alguns momentos são marcados pelo afloramento de discursos mais radicais, o que se revela até mesmo natural em um cenário de grande instabilidade. Porém, de uma maneira geral, o resultado no campo do debate político é positivo, pois o que vemos nascendo é uma nova forma de fazer política.
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A sociedade brasileira de uma maneira geral está mais interessada em discutir política, fugindo de um estereótipo histórico de que o brasileiro não liga para política. Esse interesse se revela mesmo que seja na crítica mais aguda aos políticos de carreira e aos seus métodos.
As redes sociais se apresentam com a ágora contemporânea em que os debates dos mais calorosos aos mais argumentativos se desenrolam, revelando o desejo de uma mudança na cultura política e a consciência da importância dessas decisões para a vida da comunidade.
É possível dizer que alguns temas são destaque, como a valorização da ética e o combate a corrupção, por se entender o prejuízo que essas práticas causam na efetividade das políticas públicas. A necessidade de representantes que possam pautar sua atuação de maneira técnica, a fim de alcançar benefícios comunitários e não apenas político-partidários.
Para a concretização desses objetivos de maior probidade e honestidade no tratamento dos problemas públicos disseminou-se a ideia de se romper com o “velha política”. Há uma compreensão de que no processo político reside a origem dos problemas futuros de ineficiência do Estado.
Em Santarém, com a proximidade das eleições, muitos partidos já começam a organizar as suas pré-candidaturas e o que se observa também é a mudança nos nomes que figuram para o próximo pleito eleitoral, mostrando que essa tendência também irá orientar a nossa eleição municipal.
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O Brasil é o país do mundo que mais renova na política e as últimas eleições apresentaram o maior índice de renovação no Congresso Nacional dos últimos vinte anos.
Para que a mudança no processo político seja verdadeira e permanente o eleitor deve buscar coibir as velhas práticas da política tradicional que residem na compra de voto e em ações localizadas as vésperas da eleição, disfarçadas de “ações sociais”.
Acredito que a nova geração de políticos santarena deve buscar orientar as suas ações em uma pauta de propostas, que fujam da polarização ideológica entre direita e esquerda e que visem a solução dos problemas práticos dos cidadãos, especialmente por se tratar de uma eleição municipal.
Assim, apesar da grave crise por que passamos vejo com otimismo o cenário que se desenha para o futuro, pois a política está respondendo aos seus próprios problemas de forma democrática através de uma renovação.
Espero que todos saibamos aproveitar essas oportunidades para que possamos melhorar a vida das pessoas e a forma como se faz política em nossa cidade.
— * É advogado, professor e filiado ao Cidadania em Santarém, oeste do Pará.