Jeso Carneiro

Pandemia (Seu Jair). Por Paulo Cidmil

Pandemia (Seu Jair). Por Paulo Cidmil

Pandemia (Seu Jair)

sou a palavra de ódio 
passeio dominical com a morte
a negação da ciência
prenúncio da tirania

sou a bílis que saliva
na boca do homem de bem
fogueiras inquisitórias
o gospel da hipocrisia

sou a desgraça do inocente
a falta de empatia
armas no campo e no asfalto
e a voz que ordena, Atira!

adorador da tortura
mais cruel que a covardia
mensageiro da maldade
duas vezes pandemia

sou inimigo da arte
o que oprime minorias
o incêndio nas florestas
protetor da vilania

sou a mulher fraquejada
a bicha presa no armário
A depuração da raça
adepto da eugenia

sou o que suprime direitos
o avesso da harmonia
inimigo da verdade
algoz da cidadania

adorador da tortura
mais cruel que a covardia
mensageiro da maldade
duas vezes pandemia

Paulo Cidmil (*)

 

–* É diretor de produção artística e ativista cultural. Escreve regularmente neste blog.

LEIA também de Paulo Cidmil:

O dono da porra toda

Um mergulho em direção ao lixo da história

Sair da versão mobile