Jeso Carneiro

Poetas amazônicos. Era platônico

Tempos

Divorciei do amor, que era platônico
Adotei a dor, na cabeceira
Descobri: o amor é anacrônico
Resolvi amar de outra maneira

Esta vida presente não é minha
Sou agora refém do meu passado
Perdeu-se o futuro que eu tinha
Estou preso pelos tempos, atado

Só, preciso andar, devagarinho
Eu não tenho pressa em chegar
Já conheço bem esse caminho
Defini os passos que vou dar

Vou buscar o futuro daqui ausente
Não é mais do passado o meu amor
Pra fazer de hoje o meu presente
E com os tempos divorciar da dor

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De Floriano Cunha, poeta amazônico nascido em Santarém.

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