Pequeno discurso à Santarém violentada
Dá pena ver
O azul e o branco avermelhados
A ornamentarem tristes
O teu dorso mutilado
E a doce maiêutica
Dos teus encantos
Pouco a pouco fenecida
Na gravidez dos versos
Das canções
Da pena ver
Os teus filhos e amantes
Te venderem
E de braços agulhados
Olhares cuiú-cuiuescos
Alacidarem oportunistas
E bandidos
Que saem das telas
Dos vesperais do Olímpia
Para jogarem
Ao som dos Hipies
No Salão Recreativo
Da pena ver
A fulucagem politica
Os taratatás desprotegidos
Enquanto as Tinicas libanezam
Pela Avenida Tapajós
A procura dos Nilçons
Da pena ver
A justiça com a venda
Transparente nos olhos
Caída junta a sua espada de vime
E nenhum Celio Cal
Para soerguê-la
Levantá-la
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Da pena ver
O teu povo pobre
Miseravelmente comprimido
Nessas favelas urbanas
Sem casa sem água sem luz
Ainda prestigiar seus algozes
É companheiros
Terra água gente
Absolutamente indefesos
A suportar resignados
Os dejetos de mandatários
Desonestos. Da pena ver!
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De Edwaldo Pangaré Campos, poeta amazônico nascido em Alenquer e naturalizado santareno. Morreu há exatos 17 dias.
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