
por Alaílson Muniz (*)
Podemos ir mais além e afirmar que esse poço tem porão. Existe um ‘tanto faz’ em nós quando o assunto é política, que é refletido também nas escolhas culturais.
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Mas, ainda, comparando à nossa política, particularmente, afirmo que o processo de extermínio de nossa cultura musical também é motivado por nossas escolhas. E lembro ainda que esse extermínio do bom gosto cultural está longe de ser patrocinado pela falta de gente boa e de excelentes talentos.
O nosso país sempre esteve no topo da boa música, por exemplo, e, hoje, os novos nomes ovacionados lá fora são desconhecidos no próprio país.
Hodiernamente, o gosto do ouvinte é construído diariamente pelas opções escolhidas pelo mercado. Rádios, televisões, redes sociais e até os grandes festivais nos empurram o que eles querem vender.
São letras, encenações e performances que exploram a violência, sexo e vulgaridade, subversão, rebeldia sem causa, incesto, pedofilia, entre outros temas que se tornaram ingredientes obrigatórios.
A fórmula é repetir de forma cansativa e não dar espaço ao ‘contrário’.
Não existe espaço para os bons artistas. Há um pacto nacional para barrar a entrada no mercado de qualquer artista ou manifestação cultural que fuja dessa fórmula.
A sobrevivência de poucos talentos que ainda conseguem ‘surgir’ se limita à boa vontade de nós ouvintes e telespectadores. Os chamados ‘mais acessados’ conseguem aparecer, mas logo são bombardeados pela opinião publicada.
O país vive hoje uma de suas piores safras de mercado. O segredo é a massificação da repetição.
Um exemplo, na música, é repetir todos os dias, em todos os canais. O ouvinte que escolher outra opção se sente alijado do meio social.
Dessa forma, o jovem é a principal presa, que socialmente sempre deve estar inserido em algum grupo. O importante é isso, o resto tanto faz.
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* É jornalista, blogueiro e pai da Valentina.
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