Crianças como produtos: quem os consome. Por Luanna Silva

Publicado em por em Artigos, consumidor, Educação, Opinião

Crianças como produtos: quem os consome. Por Luanna Silva

O importante debate sobre a adultização de crianças e adolescentes ganhou merecido espaço e repercussão midiática suficiente para empurrar a ampliação do controle e cuidado social com a infância e adolescência e evitar mais do que remediar, os impactos causados pela negligência até agora dispensados a elas.

É imprescindível que essa exploração seja de fato vista como o mercado que é, e, portanto, com seus fornecedores e consumidores bem definidos também.

Leia também de Luanna Silva:

Pessoas denunciadas ou que perceberam seus objetivos ameaçados se sentiram livres para amedrontar e tentar calar, portanto localizar e notificar é o mínimo ato esperado, além de colocar essas pessoas sob constante observação e controle do Estado.

A educação sexual nas escolas tem sido potente arma transformadora de muitas realidades de violência e desespero, mostrando que os casos em sua maioria a envolvem a família, tirando a ilusão do lugar seguro e do acolhimento da casa.

Além disso, muito pouco ou quase nada é feito para evitar que a criança que sofreu abuso não venha a se tornar um abusador um dia, de forma a perpetuar uma prática nascida do trauma e do descaso.

Por fim, endurecer as leis é mais justo do que mapear lugares que podem ou não oferecer perigo, afinal, a ameaça vem de pessoas.

É preciso discutir e avaliar o comportamento de quem oferece um conteúdo contaminado, mas também do que é ofertado a crianças e adolescentes como referência, passando por redes sociais e mídia, e trazer a responsabilidade para toda a rede de educação e desenvolvimento infantil.

E por fim, encarar a mente doente de quem se coloca como consumidor (em muitos casos alguém que também foi abusado) e que hoje precisa ser contido para não traumatizar.


➽ Luanna Silva é de Santarém (PA), onde se fez e concluiu o curso superior em psicologia. Escreve regularmente no JC. Leia também dela: O luto das mulheres: um corpo, um alvo, o medo. E ainda: Julieta, sonho de palhaça em duas rodas fulminado.

— O JC também está no Telegram. E temos ainda canal do WhatsAPP. Siga-nos e leia notícias, veja vídeos e muito mais.


Publicado por:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *