Jeso Carneiro

Trocando de roupa, por Helvécio Santos

Trocando de roupa, por Helvécio Santos, urna

por Helvecio Santos (*)

“Navegavam há meses e os marujos não tomavam banho nem trocavam de roupa. O que não era novidade na Marinha Mercante britânica, mas o navio fedia!
O capitão chama o imediato:
-Mr. Simpson, o navio fede. Mande os homens trocarem de roupa!
Responde o imediato:
-Sim, sim, Sir.
E parte para reunir os seus homens e diz:
– Marinheiros, o capitão está se queixando do fedor a bordo e manda todos trocarem de roupa. David troque a camisa com John, John troque a camisa com Peter, Peter troque a sua com Alfred, Alfred troque a sua com Jonathan…e assim prosseguiu.
Quando todos tinham feito as devidas trocas, volta ao capitão e diz:
– Sir,todos já trocaram de roupa.
O capitão, visivelmente aliviado, manda prosseguir a viagem.”

Este texto circula na internet e é de autor desconhecido.

Transcrevo pois como nos aproximamos do período eleitoral, ele expressa, cristalinamente, o que veremos.

O navio é o Brasil, os marinheiros são os candidatos, as camisas são os partidos e o Sir é o nosso pseudo-sistema democrático.

E quem há de dizer o contrário?

Com os políticos patrocinando toda espécie de bandalheira, o Brasil fede. Mesmo assim os políticos trocarão de camisa e a viagem prosseguirá.

Qual a magia, qual o poder de convencimento que esses “marinheiros” têm? Será que o povo ainda vive naquela velha e burra política de trocar voto por dentadura, por uns poucos tijolos, por uma bolsa família ou até mesmo uma sandália barata? Ou será que ainda votamos no candidato que está bem nas pesquisas para não “perdermos” o voto?

Como se aproxima o fim de mais um mandato, é hora de nos perguntarmos: o que o político que elegemos fez de bom para nossa cidade, para nosso estado, para nosso país? A prática nos mostra.

Depois de eleito o político esquece tudo o que prometeu e só quer saber de nomear seus “protegidos” para cargos públicos, agilizar seus negócios e engordar sua conta bancária.

Mas há solução e a oportunidade é esta. As eleições estão aí e depois não adianta reclamar, a “vaca foi pro brejo”! Não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar mais esta oportunidade.

Votar nos mesmos que se reelegem e não fazem nada pelo povo é jogar no lixo o presente e o futuro do nosso país, do nosso estado, da nossa cidade e, por consequência, o presente e o futuro dos nossos filhos.

A votar nos mesmos vamos continuar com professores e policiais mal pagos; hospitais sem médicos, sem equipamentos e sem medicamentos; estrada e ruas esburacadas; esgoto a céu aberto etc… etc… etc.

A votar nos mesmos a nossa realidade não mudará e continuaremos a ver malas de dinheiro com ou sem rodinhas; balcão de negócios para barrar impeachment; negociatas para desvio de dinheiro em obras e estatais; nomeação de protegidos para cargos públicos; prerrogativa de foro a dar a rodo etc etc etc.

Chega dos mesmos! Vamos mandar os políticos profissionais para casa e votar em candidatos que nunca tiveram cargo eletivo.

Vale a pena tentar. Se não der certo pelo menos faremos novos “propineiros” e na próxima eleição é repetir a prática, até que alcancemos políticos realmente comprometidos com os interesses do povo.

Vamos limpar o “navio” aplicando o sabão que se chama voto. Precisamos eleger políticos honestos que honrem a confiança do povo.
O Brasil fede! Precisamos dar um basta.

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* É advogado e economista santareno. Reside no Rio de Janeiro, de onde escreve regularmente neste site.

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