
Além do bloqueio de seus bens até o limite de R$ 12 milhões, o atual presidente da Acorjuve (Associação das Comunidades da Região de Juruti Velho), Gerdeonor Santos, pode ficar proibido de ter acesso às contas bancárias da entidade que dirige.
Foi o que solicitou à Justiça Federal, liminarmente, a procuradora Fabiana Schneider nos autos da civil pública que moveu contra o líder comunitário e mais 9 pessoas acusadas de participar de um esquema de corrupção na construção de 1.830 casas populares no assentamento agroextrativista Juruti Velho, município de Juruti.
O caso foi noticiado ontem, em primeira mão, pelo site Jeso Carneiro.
“É imprescindível a adoção dessa medida sob pena de dilapidação dos bens da comunidade”, ressalta a procuradora na ação.
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“Verifica-se, aliás, que essa é uma demanda de muitos dos comunitários [de Juruti Velho] insatisfeitos com a gestão de Gerdeonor que, por deter poder sobre a gestão financeira das contas da associação, encontra caminho facilitado para se eternizar na presidência da associação”.
500 MIL EM ROYALTIES
Fabiana Schneider pediu que a proibição de acesso bancário as contas da Acorjuve seja estensiva a Antonio Marcos Tavares de Sousa e Francisco de Sousa Pinheiro, membros da diretoria da associação à época do esquema, bem como para Dilton Tapajós, que hoje é advogado da Acorjuve.
Segundo depoimento do contador José da Rocha Amazonas ao MPF, dinheiro da associação está sendo utilizado para a construção de casas inacabadas nas comunidades de Juruti Velho.
A Acorjuve recebe cerca de 500 mil reais por mês da Alcoa a título de royalties pela exploração de bauxita. Esse recurso deveria ser revestido unicamente em benefício da população de Juruti Velho.
“Gerdeonor se mantém até o presente como presidente (diretor administrativo) da Acorjuve, sendo reeleito consecutivamente. Pudera, é ele quem determina como e a quem o dinheiro recebido a título de royalties será distribuído”, afirma Fabiana nos autos.
OUTRO LADO
O site Jeso Carneiro tentou contato com Gerdeonor Santos (093-9141-****) e Dilton Tapajós (093-9192-****), mas não obteve êxito. O espaço para o contraponto de todos os citados na matéria continua aberto.
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