Jeso Carneiro

O disparo ardeu em Manoel, menino negro da Praça da Matriz. Por Edibal Cabral

O disparo ardeu em Manoel, engraxate da Praça da Matriz. Por Edibal Cabral
Manoel Apolinário, artista plástico morto no dia 1º. Foto: Arquivo pessoal

“… eu estava ligado nele, vi quando o Darlan se aproximou dele… e disse: – Não vai estragar a festa, guarda essa arma. Foi isso que ouvi, depois o disparo, aquilo ardeu, feriu, porém mantive a calma e perdoei aquele individuo alcoolizado, drogado, louco por vingança”.

Era um domingo pela manhã bem cedinho, sol raiando, sentado estrategicamente à porta de entrada em uma cadeira com os pés em outra, lençol cobrindo do tronco aos pés.

 

Alegria estampada no rosto quando emergi, já fazia alguns meses que não nos encontrávamos. Na última vez, questionei o por quê de ter colocado aquele monstrengo na frente da cidade ao lado do trapiche, escondendo a paisagem das minhas lembranças.

Quando eu o conheci, perambulava pela Praça da Matriz, engraxate, perspicaz, olhos de lince, robusto, negro, humilhado, inteligente, capaz.

Conhecia todos que moravam no centro da cidade e que circulavam ao redor da Praça da Matriz, mercado municipal e  foi aí que conheceu Zé Azevedo, Zé Cangoia, que o acolheu como um filho e passou a morar, trabalhar e aprendeu as artes em geral.

Irrequieto, artista, foi à procura de outras aventuras ergueu, caiu, conquistou, criou, irreverente, maluco, respeitador, Manoel, Manoel…


— * Edibal Carvalho Cabral, santareno, é advogado.

LEIA também: Leia o depoimento de Apolinário à polícia sobre o tiro que levou de Sandro Carvalho

Sair da versão mobile