Jeso Carneiro

5 perguntas. Defesa de Dionar Jr. diz ter provas contra quem queria agiota morto

5 perguntas. Defesa de Dionar diz já ter provas contra quem queria agiota morto
Rodrigo Marques, um dos advogados da defesa de Dionar Júnior. Foto: arquivo pessoal

O assassinato do agiota e empresário Iran Parente, em fevereiro deste ano em Santarém (PA), junto com mulher, Josielen Prezza, pode ter um novo desdobramento caso a defesa de Dionar Nunes Cunha Júnior, apontado pela polícia como mandante do crime, coloque suas cartas na mesa.

Segundo o advogado Rodrigo Marques, 29 anos, que junto com Américo Leal, 73 anos, Marcelo Oliveira, 40, Igor Batista, 26, e Harrison Sarraf, 28, fazem a defesa do acusado, eles já têm “provas suficientes que demonstram” quem são “os responsáveis por este hediondo crime”.

 

“Em momento oportuno”, disse Rodrigo Marques em entrevista ao Blog do Jeso, essas provas serão apresentadas. “Não existe dúvida nesse processo de quem são os verdadeiros envolvidos”.

Dionar Júnior está preso há 30 dias, por ordem da Justiça. Para defesa, o inquérito policial tem falhas por não incriminar muitas pessoas envolvidas no duplo assassinato.


— 1. O inquérito policial sobre o assassinato do empresário e agiota Iran Parente, na opinião da defesa de Dionar Júnior, possui falhas por quê?

— Rodrigo Marques: Desde o início a defesa de Dionar percebeu que algumas pessoas confessaram, perante a autoridade policial, ter cometido crimes conexos ao homicídio contra Iran Parente e Josielen Prezza, seja comprando arma e moto, que, segundo a denúncia, foram utilizadas no delito, seja arrancando o rastreador da motocicleta e, logo após, enterrando a moto na Fazenda Barbosa.

Além de que, mesmo com as reuniões tendo acontecido na Fazenda e Haras Barbosa, a mochila ter sido encontrada na fazenda, alguns funcionários terem direta ou indiretamente envolvimento, em momento algum foi feito pedido de busca e apreensão ou de quebra do sigilo telefônico para saber como o crime ocorreu e quem eram as pessoas envolvidas, pois quase todo o planejamento se deu por meio de ligações e mensagens, segundo as próprias testemunhas relatam.

Em resumo: pessoas confessaram que compraram arma e moto utilizadas no crime, arrancaram rastreador e enterraram a moto na fazenda, devolveram o carro da fuga, mas não foram indiciados pela Polícia Civil. O Ministério Público falou que os crimes foram cometidos, mas não denunciou quem os cometeu. Pedimos para o MP tomar providências, mas em resposta disse que nada faria e arquivou nosso pedido. Em suma, pessoas sairão impunes.

— 2. Diante da negativa do Ministério Público de não atender a defesa de Dionar Júnior que passo jurídico vocês pretendem dar agora?

Rodrigo Marques: Seguiremos a marcha processual, apresentando nossos argumentos ao juiz da causa, bem como insistiremos na demonstração das verdades ainda omissas, tanto ao Judiciário, quanto ao Ministério Público do Pará e ao povo santareno.

3 — A defesa acredita que Dionar não teve qualquer envolvimento com os 2 assassinatos?

Rodrigo Marques: Não existe dúvida nesse processo de quem são os verdadeiros envolvidos, desde o momento que iniciamos a investigação defensiva tudo ficou muito bem evidenciado. Agora estamos coletando as provas para judicializá-las e levá-las ao conhecimento de todos.

O ponto de partida da defesa foi perceber que, apesar de Dionar Júnior ser o “homem de confiança” de Iran Parente, o tão falado motivo da ganância foi afastado, pois, apesar de Iran ter colocado vários bens no nome de Dionar, tudo foi devidamente devolvido aos filhos da vítima, com comprovação documental, demonstrando a inexistência de vantagem financeira com a morte de Iran. Pelo contrário, com a vítima em vida Dionar recebia comissões de operações financeiras, auxiliando-o nos negócios e venda de veículos.

 

Sendo assim, se a intenção fosse mandar matá-lo para apropriar-se dos bens de Iran Parente, colocados em seu nome, a primeira atitude seria pegar os seus cheques que estavam na mochila da vítima, achada na Fazenda Barbosa, mas que foram entregues à polícia, além de ter ficado com todos os bens que estavam no seu nome e ido embora da cidade, logo após saber que era suspeito. Mas não o fez.

— 4. Amigo de confiança e muito próximo de Iran, Dionar Júnior tem informações sobre quem teria interesse na morte do empresário?

Rodrigo Marques: Essa foi uma curiosidade despertada na própria defesa, bem como em Dionar Júnior, que tem se penitenciado em descobrir quem teria interesse na morte de Iran Parente, e o real motivo, apesar de que a investigação defensiva já nos levou a provas suficientes que demonstram os responsáveis por este hediondo crime. Porém, precisamos que o poder público dê credibilidade ao lastro probatório que se encontra com a defesa, e que em momento oportuno será apresentado.

5 – Para defesa, o inquérito policial estaria contaminado, e por isso deveria ser zerado e elaborado outro?

Rodrigo Marques: Não diríamos contaminado, mas algumas questões despertaram nossa atenção, principalmente por não terem sido realizadas muitas diligências essenciais para deslinde do caso. Ressaltamos que nunca foi e nem será interesse da defesa de Dionar desqualificar o trabalho de qualquer autoridade, seja policial, judiciária ou ministerial. Entretanto, todos os responsáveis precisam ser descobertos e devidamente punidos, por isso a defesa está incansável na realização da investigação defensiva.

Sobre “reiniciar” o inquérito, isso não seria possível, mas a defesa entende que após a conclusão das investigações, com apresentação do relatório policial, o que já foi feito, o Ministério Público poderia pedir a sua reabertura para novas diligências pela Polícia Civil, inclusive com juntada das provas obtidas pela defesa, o que também não ocorreu, mas no momento certo a verdade virá à tona, com a incisiva atuação do Judiciário, da defesa e do Ministério Público.

O casal assassinado em fevereiro deste ano em Santarém. Foto: Facebook

Quem está envolvido no crime, segundo o MP

Erick Renan Oliveira Carvalho, o Calanguinho. Executor dos crimes (roubo e homicídio qualificado). Teria recebido R$ 10 mil pelo serviço.

Valdileno Braga Dias, o Preto. Executor dos crimes. Também teria recebido R$ 10 mil.

Alessandro Gomes da Silva, o Mineirinho. Intermediador. Teria contratado os executores dos 2 assassinatos. Trabalhava na Fazenda Barbosa.

Aline Maiara Ribeiro dos Santos. Companheira de Mineirinho, também morava na Fazenda Barbosa.

Dionar Nunes Cunha Júnior. O mandante. Que teria contratado Mineirinho por R$ 100 mil para realizar o serviço.

Quem não foi indiciado, apesar de estar conectado aos crimes

Wenneldy Carlos Gama da Silva. Confessou à polícia ter retirado o rastreador da moto usada no crime. E comprou a arma do crime.

Athirson Silva de Sousa. Escondeu a moto usado no duplo assassinato.

Givaldo Santos Pereira. Mandou esconder a moto.

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