5 perguntas. Andreza Alves, titular da Delegacia da Mulher, responde, andreza
Delegada Andreza Alves, titular da Deam

Andreza Alves, 38 anos, é referência há 7 anos em Santarém, oeste do Pará, do combate à violência contra a mulher. Ela é quem dirige a Deam (Delegacia Especial de Atendimento à Mulher), inaugurada em 1992 e dirigida até agora por 4 delegadas.

A “bíblia” de Andreza nas suas atividades policiais é a Lei Maria da Penha, que nesta semana completou 12 anos em vigor no país. Dela e mais duas delegadas que atuam na Deam nos dias de semana para dar conta da enorme procura de mulheres alvo de algum tipo de violência, física ou psicológica.

Nos finais de semana, 4 delegadas atuam nos plantões, pois a demanda “explode”.   Em média, são registradas 100 ocorrências por mês.

1. Quantos casos no primeiro semestre deste ano em Santarém foram registrados de denúncias com base na Lei Maria da Penha?

685 ocorrências de janeiro a junho mo Deam. Quase todas com pedido de medidas protetivas.

2. Que tipo de ocorrência é mais corriqueira?

Lesões corporais de natureza leve, ameaça, injúria e dano ao patrimônio.

3. A reincidência de casos é elevada? Ou, ao contrário, a Maria da Penha tem efeito pedagógico?

Em geral, as medidas protetivas funcionam muito bem. O número de agressores que volta a praticar a violência é pequeno em relação ao número de denúncias atendidas na Delegacia da Mulher.

4. A Lei Maria da Penha acaba de completar 12 anos em vigor. Ela precisa ser aperfeiçoada?

Acho que um dos ajustes mais importantes foi feito recentemente, que foi a criminalização da quebra de medidas protetivas. Agora, a quebra de medidas protetivas é um crime autônomo e quando ocorre não é cabível arbitramento de fiança pela autoridade policial. Portanto, no meu ponto de vista, hoje a lei é bastante eficaz.

5. O que mais lhe chama atenção nos casos em que a violência contra a mulher fica configurado?

A dependência emocional e econômica das vítimas. Pois é em razão disso que muitas delas tendem a desistir do processo e, inclusive, das medidas protetivas. Chama atenção também o grande número de denúncias todos os dias e o número de medidas protetivas solicitadas. Por mês, são mais de cem medidas protetivas. É um número expressivo e significa que a mulher santarena está consciente de seus direitos e vai em busca deles.

Leia também:
vc. repórter. Morador denuncia: “Falta até injetável no posto de Alter do Chão”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *