
A Justiça de São Paulo nomeou a santarena Francy Maria Lima Chaves como inventariante do espólio do empresário Armindo Dociteu Denardin, fundador do Grupo Mônaco.
A decisão, assinada pelo juiz Leonardo Aigner Ribeiro, da 4ª Vara da Família e Sucessões, coloca a empresária na administração provisória de bens ligados a um conglomerado empresarial com forte atuação no Norte e Centro-Oeste do Brasil, cuja projeção de faturamento para 2024 superava os R$ 4 bilhões.
Francy Chaves, residente em Santarém, atua no processo como representante de sua filha menor, filha herdeira do empresário. Na decisão judicial datada de 13 de novembro de 2025, o magistrado determinou: “Nomeio Francy Maria Lima Chaves, genitora da menor, ao cargo de inventariante do Espólio de Armindo Dociteu Denardin, independentemente da lavratura do termo de compromisso”.
Alcançada pelo JC para comentar a decisão e os próximos passos do processo, Francy Chaves recusou-se a prestar qualquer informação ou declaração sobre o caso.
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Responsabilidades e bloqueio de inventário extrajudicial
Ao assumir a inventariança, a santarena passa a ter a responsabilidade legal de listar, descrever e proteger o patrimônio deixado por Denardin até a conclusão da partilha. O juiz estipulou um prazo de 20 dias para que sejam apresentadas as primeiras declarações, conforme o Código de Processo Civil.
O magistrado também deferiu um pedido liminar para impedir que o inventário fosse realizado fora da esfera judicial.
“Defiro o pedido liminar para que se abstenham de realizar o inventário extrajudicial”, escreveu o juiz, que também ordenou a citação da viúva, Ilvanir Dalazen Denardin, e dos demais herdeiros, além de exigir uma certidão para verificar a existência de testamento.
Capacidade financeira do espólio
Em despacho posterior (dezembro de 2025), a Justiça de SP indeferiu o pedido de justiça gratuita, apontando a solidez econômica da herança. O juiz Leonardo Aigner Ribeiro argumentou que a hipossuficiência deve ser analisada em relação ao espólio, e não às condições pessoais dos requerentes.
“Esse [o espólio], sem dúvida, tem capacidade financeira, pelo próprio fato de ser composto de bens com expressão econômica, os quais serão incorporados a título gratuito ao patrimônio dos herdeiros”, afirmou o magistrado na decisão. Foi determinado ainda o levantamento de bens via sistemas do Banco Central (SISBAJUD), Receita Federal (INFOJUD) e DentranENATRAN (RENAJUD).
Império empresarial
Armindo Dociteu Denardin faleceu em 16 de julho do ano passado, aos 79 anos, em São Paulo. Gaúcho de Santa Rosa, ele construiu sua trajetória empresarial a partir de 1977 em Altamira (PA), onde fundou a primeira concessionária que daria origem ao Grupo Mônaco.
O grupo expandiu-se para se tornar uma potência no setor automotivo, com concessionárias de veículos (Fiat, Jeep, RAM), caminhões e motocicletas, além de atuar em locação e consórcios.
Em março de 2024, a projeção de faturamento do grupo era superior a R$ 4 bilhões, consolidando o legado econômico agora sob análise judicial.
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