Jeso Carneiro

Tarefa para domingo: lembrar de quem luta e quem oprime. Por Felipe Bandeira

Tarefa para domingo: lembrar de quem luta e quem oprime. Por Felipe Bandeira
Santarém, palco da Cabanagem. Foto: Ádrio Denner

Nesse domingo, vai ser travado uma batalha contra o autoritarismo. Na hora de votar, lembre-se daquelas e daqueles que representam nossa história de luta e daqueles que nos oprimem e nos exploram. Nosso povo tem uma longa história de luta e resistência.

Santarém foi construída em cima de território indígena. Uma história de violência e brutalidades sem tamanho. Mas isso não significa que os povos negros e indígenas foram sujeitos passivos à marcha inexorável da história. Muito pelo contrário, nosso ancestrais souberam ressignificar sua existência e negaram ao colonizador o mito do cativeiro perfeito.

Felipe Bandeira *

Na verdade, os europeus temiam os povos guerreiros e nunca conseguiram concluir seu projeto de colonização. A região se constituiu, assim, numa confluência de muitos povos e etnias que ressignificaram sua existência e laços de solidariedade.  

Foram essas pessoas que produziram o maior levante popular da Amazônia: a Cabanagem. Esta revolta estourou em 1835 e foi um movimento de grandes proporções. No Oeste do Pará, o movimento produziu uma ampla participação de povos indígenas e populações negras. Em Santarém, os cabanos enfrentaram o poder imperial e impuseram o estabelecimento de um governo revolucionário.

A comunidade de Cuipiranga, localizada entre os rios Amazonas e Arapiuns, se destacou como o grande centro do movimento revolucionário.

 

Após retomar o controle de Santarém, as elites locais reprimiram violentamente os rebeldes, perseguindo e aniquilando todos aqueles que encontrassem pelo caminho. Em Cuipiranga, após sangrentos embates, que até hoje mancharam de vermelho aquelas terras, não mais que 500 pessoas se renderam. Na Província do Pará, que à época contava com uma população de cerca de 120 mil habitantes, estima-se em trinta mil o número de mortos na Cabanagem.

Essa luta moveu os tempos e se atualiza nos dias de hoje porque é parte da nossa luta por liberdade. Nessas eleições, lembre-se da resistência dos nossos ancestrais. Existem candidaturas que defendem nossos territórios, vidas, corpos e uma educação verdadeiramente emancipadora.

Por outro lado, existem também candidaturas que só tem a nos oferecer mais violência e morte.

Já é possível sentir um vento progressista que sopra em toda América Latina. Neste domingo, os ventos do norte também vão remover governos autoritários.


— * Felipe Bandeira é santareno e doutorando em Desenvolvimento Econômico na Unicamp (Universidade de Campinas).

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