Jeso Carneiro

Retomada do “Mensalinho de Juruti” ameaça planos políticos do vice-prefeito para 2029

Retomada do Mensalinho de Juruti ameaça planos políticos do vice-prefeito para 2029
Fladimir Andrade, vice-prefeito de Juruti. Foto: Facebook/reprodução

O vice-prefeito de Juruti, Fladimir de Azevedo Andrade (PSD), enfrenta um cenário de turbulência jurídica que pode alterar significativamente o xadrez político local. Com a retomada judicial do escândalo de corrupção conhecido como “Mensalinho de Juruti”, a projeção de Fladimir para suceder a atual prefeita, Dona Lucídia (MDB), nas eleições de 2029 encontra um obstáculo que pode se tornar incontornável.

Fladimir Andrade é um dos 14 réus na ação por ato de improbidade administrativa que investiga um esquema de compra de apoio parlamentar ocorrido entre 2013 e 2016, durante a gestão do ex-prefeito Marquinho Dolzane.

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Na época exercendo o mandato de vereador, Fladimir Andrade é apontado pelas investigações como um dos beneficiários diretos do esquema que, supostamente, irrigava o Legislativo com vantagens mensais indevidas para silenciar a Câmara e encobrir irregularidades do Executivo.

De acordo com o Ministério Público, a propina mensal aos parlamentares era composta por R$ 2 mil em espécie, 200 litros de combustível (diesel e gasolina) e dezenas de passagens fluviais para rotas entre Juruti, Santarém e Manaus.

Idas e vindas na Justiça

O avanço do processo sofreu uma reviravolta em maio de 2022, quando chegou a ser arquivado em primeira instância sob a justificativa de prescrição, baseada na nova Lei de Improbidade Administrativa. Uma apelação do Ministério Público do Pará (MPPA), porém, garantiu a reversão do arquivamento no TJPA (Tribunal de Justiça do Estado), que seguiu o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) contra a retroatividade de leis mais brandas para casos anteriores.

A Justiça marcou para o próximo dia 12 de agosto, conforme o JC revelou, audiência de instrução e julgamento decisiva. A pauta tem como foco a oitiva de três ex-vereadores que, em 2015, atuaram como delatores do esquema e forneceram os detalhes que baseiam a denúncia.

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Caso a Justiça julgue procedente a denúncia, o atual vice-prefeito estará sujeito a sanções severas. A condenação por improbidade administrativa prevê a devolução integral dos valores supostamente recebidos — acrescidos de juros, correção monetária e multa por danos morais —, além da cassação dos direitos políticos por um período de 8 anos.

Uma eventual condenação em órgão colegiado enquadraria Fladimir Andrade na Lei da Ficha Limpa, inviabilizando juridicamente o seu projeto de disputar a cadeira de chefe do Executivo municipal nas eleições de 2028.

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