
O maior e mais midiático escândalo de corrupção da história recente de Juruti (PA) voltou aos holofotes. Marcada para o próximo dia 12 de agosto, às 13h, a audiência de instrução e julgamento do caso trará novamente à tona os três vereadores responsáveis, à época, por revelar o esquema ao Ministério Público paraense.
Os novos depoimentos de Janisson de Sousa Natividade (PT), Heriana Silva dos Santos (PT) e Manoel Borges dos Santos (PSD), o Cobra, são aguardados como a etapa mais significativa desta fase judicial.
Longe de cargos parlamentares e ainda residentes no município, os 3 delatores já foram intimados pela Justiça para comparecer presencialmente à sessão no fórum de Juruti.
Decisão justa
A oitiva tem peso decisivo para a instrução probatória: foram eles que, em 2015, delataram com minúcias de detalhes ao MP toda a engrenagem de corrupção e vantagens indevidas, alicerçando a denúncia civil pública formalizada em agosto de 2017.
O próprio mandado judicial já emitido, e recebido pelos 14 réus, adverte, de forma enfática, que participação deles “é essencial para esclarecer os fatos e contribuir para uma decisão justa”.
A importância de reouvir os delatores ganha ainda mais força pelo contexto de idas e vindas processuais, amplamente documentadas em matérias publicadas no portal JC.
Histórico
O “Mensalinho de Juruti” funcionou durante a gestão do então prefeito Marquinho Dolzane (2013-2016). Para silenciar a Câmara, encobrir irregularidades administrativas e garantir apoio político, o Executivo supostamente irrigava 13 vereadores com vantagens mensais compostas por: R$ 2 mil em espécie, 100 litros de diesel, 100 litros de gasolina, além de 10 passagens de barco no trecho Juruti-Manaus e outras 10 passagens para a rota Juruti-Santarém.
O avanço desse processo, no entanto, esteve sob grave ameaça de impunidade. Em 19 de maio de 2022, o juiz de primeira instância, Odinandro Garcia Cunha, chegou a arquivar a ação contra os 14 réus, ordenando até mesmo o desbloqueio de bens dos acusados.
O magistrado havia fundamentado sua sentença na nova Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 14.230/21), reconhecendo a chamada “prescrição intercorrente” por conta da passagem de mais de quatro anos desde o ajuizamento.
A retomada da ação só foi possível graças a um recurso do Ministério Público do Pará (MPPA) ao Tribunal de Justiça do Estado (TJPA). A corte reverteu o arquivamento baseando-se na tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal (Tema 1199), que determinou a irretroatividade da nova lei de improbidade administrativa, de modo que os prazos mais brandos não podem beneficiar acusados por fatos anteriores à sua vigência.
Com o processo salvo da prescrição, os autos retornaram à comarca de origem. Agora, o depoimento de Janisson, Heriana e Cobra, sob o rigor de um julgamento presencial, será a prova de fogo do processo.
Se confirmarem ou detalharem na audiência o funcionamento do “Mensalinho” narrado na delação original de 2015, os ex-vereadores terão a palavra definitiva que poderá selar o futuro legal, político e financeiro dos investigados na Justiça de Juruti.
Abaixo, a lista com os 14 réus acusados de envolvimento no esquema, que incluem o ex-prefeito e ex-vereadores do município. Todos intimados para audiência do dia 12/08:
- Carlos Alberto Batista de Oliveira
- Cleverson Mafra de Souza
- Edjanio Printes Figueira
- Elber Gonçalves de Azevedo
- Elivan da Silva Rocha
- Fladimir de Azevedo Andrade
- Heriana Silva dos Santos (citada como Heriana dos Santos Barroso)
- Janisson de Sousa Natividade
- Luiz Antônio Braga de Souza
- Manoel Borges dos Santos
- Marco Aurélio Dolzane do Couto (ex-prefeito, conhecido como Marquinho Dolzane)
- Mônica de Farias Brigido
- Pedro Natividade Santarem
- Rogério Soares da Silva
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