
Em Monte Alegre, oeste do Pará, o que parecia ser apenas um ônibus público fora do lugar pode ser a ponta de um esquema envolvendo a alta cúpula da educação do município. O Ministério Público apura denúncias de desvio de bens, favorecimento de parentes e irregularidades com o dinheiro público na Semed (Secretaria Municipal de Educação).
Tudo começou quando o MP paraense recebeu denúncia acompanhada de fotos e vídeos feitos por drone entre os dias 2 e 5 de junho deste ano.
As imagens aéreas flagraram um micro-ônibus amarelo, da marca e modelo vinculados ao programa federal “Caminho da Escola” (de placa QVT-6E96), escondido num terreno particular na rodovia PA-423, na comunidade de Alto Grande.
O detalhe que chamou a atenção do Ministério Público é que a propriedade pertenceria a Erivania Nunes, a atual Coordenadora do Transporte Escolar de Monte Alegre. O veículo, que deveria estar guardado no pátio da prefeitura para servir aos alunos da rede pública, foi retirado de sua função para ser mantido em um imóvel privado.
— ARTIGOS RELACIONADOS
Além do ônibus fora da garagem, a denúncia aponta um problema ainda maior envolvendo o dinheiro do município.
O serviço de transporte de alunos na cidade funciona por meio de uma licitação, vencida pela empresa M. B. de Macedo Neto Comércio e Serviços Ltda.
Manobra
A suspeita é que essa empresa estaria fazendo a subcontratação (quando a empresa que ganhou o contrato do governo repassa o trabalho para outras empresas locais realizarem) para executar as rotas dos alunos. O problema é que uma das empresas contratadas para fazer esse serviço seria a AF Transportes Ltda, que tem ligação direta com Alexandre Antônio de Freitas Arcanjo, marido da atual secretária municipal de Educação, Rosilene Oliveira Arcanjo.
A denúncia aponta que esse repasse de serviço seria uma manobra para burlar a lei e enviar dinheiro público diretamente para o núcleo familiar da secretária, o que configura, em tese, improbidade administrativa.
Além disso, o denunciante relatou que o marido da secretária teve um rápido enriquecimento, comprando uma grande frota de veículos recentemente.
Ação da Justiça
Diante da gravidade, o promotor de Justiça Diego Lima Azevedo instaurou uma investigação e determinou medidas imediatas para apurar os fatos. Ele enviou diversos ofícios exigindo explicações da prefeitura, gestão de Júnior Hage (PP), e das empresas.
Foi dado um prazo de 15 dias para que os envolvidos enviem todos os contratos, rotas e comprovem se a empresa do marido da secretária está realmente atuando. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão do governo federal que financia projetos educacionais, também foi acionado para checar se o ônibus flagrado foi comprado com dinheiro federal e quais as regras para a guarda desse veículo.
O JC não conseguiu falar com os citados nesta matéria. O espaço continua aberto para a manifestação deles sobre o caso.

O JC mais perto de você! 📱
Gostou do que leu? Siga nossos canais e receba notícias, vídeos e alertas em primeira mão:
Sua dose diária de informação, onde você estiver.
Deixe um comentário