Jeso Carneiro

TV Tapajós, merenda, farsa e cinismo

Merenda escola e TV Tapajós

por Celivaldo Carneiro (*)

Na política de Santarém e na TV Tapajós, as coisas se passam, por assim dizer, ao contrário: primeiro como farsa, depois cheias de cinismo.

Dois vereadores, Valdir Matias Jr. e Henderson Pinto, que tem suas vidas, imagens e familiares associadas ao político mais corrupto da história desta cidade, foram protagonistas de uma reportagem nas telas do plim-plim, no dia 30 passado. Eles apareciam fiscalizando uma suposta denúncia de falta de merenda nas creches municipais. Matéria típica de quem faz qualquer coisa para alcançar seus objetivos – nada honrados – sem quaisquer escrúpulos.

Logo eles, demo-verde, figuras do prócer, voluntários da ocasião e do oportunismo, cúmplices e partícipes da quadrilha que tomou de assalto a Semed. Foram eles justamente que promoveram o maior saque, a maior locupletação e a mais vil malversação de verbas públicas destinadas à merenda escolar neste município.

Mas, cinicamente, foram transformados, pelo jornalismo da televisão, em paladinos da moralidade. Logo na TV Tapajós, ela mesma involuntária do atributo, mas que se sabe abomina, e à qual, a rigor, não lhe pertence.

Registre-se: o assunto em questão não foi uma pauta qualquer. Foi uma insinuante ‘suspeita’ de falta de merenda escolar. Haveria inúmeras maneiras de falar do assunto, mas a TV Tapajós escolheu duas vezes a pior – farsa e cinismo.

A verdade, porém, é que diante do fato, interessa pouco saber se a TV Tapajós se descaracterizou a ponto de ficar irreconhecível, ou pelo contrário, apenas revelou ser quem sempre foi. Seu ocaso profissional, no entanto, é sintoma de coisas muito maiores, enormes, digamos assim, monumentais.

O jornalismo, assim como a política, está sempre sujeito aos fatos, às contingências e aos personagens, mas naquela reportagem o cinismo da TV Tapajós e dos vereadores foi ridículo, farsante, metafórico.

Tudo somado, a reportagem deixou de falar do óbvio, e até mesmo do mais provável, até por que não poderia faltar merenda nas creches se por trás de um dos personagens entrevistados na Semed, o cinegrafista, ingenuamente, não se furtou de mostrar uma montanha de alimentos em franca distribuição às creches e escolas. Como desmentir as imagens?

Mas havia inúmeros telespectadores a convencer, compromissos a serem cumpridos, e não há dúvida, faltou muita lógica a esse arranjo na reportagem.

O resultado é que os vereadores se fragilizaram como lideranças do contraponto à administração que deixa a Prefeitura de Santarém neste final de ano, até por que também são figuras manjadas da cúpula partidária que há 8 anos deixou a mesma Semed pelas portas dos fundos. Literalmente, roubando papéis e documentos, na tentativa de acobertar um assalto planejado aos cofres deste município.

A população jamais se esquecerá deste roubo e agora também da reportagem. Plim- Plim!

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* É jornalista e editor-proprietário do semanário Gazeta de Santarém.

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