Jeso Carneiro

Poetas amazônicos. Amada escurecida

Poema da Amada Escurecida

Quero enfim repousar,
quero enfim adormecer sobre a grande noite
da amada escurecida.
Apaguem todas as luzes,
apaguem o canto iluminado das mortalhas,

apaguem o próprio silêncio deste exílio
e a lembrança da amada escurecida.

Quero enfim repousar,
quero enfim adormecer sob a noite gelada,
sepultar o meu canto nas paredes eternas
pássaro louco prestes a descer às trevas abismais.

Quero enfim repousar,
eu o jamais sepultável dos poemas,
o que espera as visões da grande madrugada,
o que faz os teus olhos abertos compassivamente
para o grande retorno da amada escurecida.

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De Ruy Barata, poeta amazônico nascido em Santarém.

Leia também:
A Serpente, de Ruy Barata.
Um leão por dia, de Floriano Cunha.
Minha cara, France Castro.
Manifesto, de Jota Ninos.
Casas destruídas em Abaetetuba, de João de Jesus Paes Loureiro.

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