A Serpente

No róseo mapa-mundi
de teu corpo,
me debruço nas ilhas,
nas planícies e montanhas,
buscando me buscar
nas tuas entranhas,
e querendo me querer,
depois de morto.

Percorro o litoral
de praia roxa,
em volta de teus seios
florescentes,
e desço à sombra,
aos peraus da coxa,
onde começa o vale
das serpentes.
E vejo,
ai de mim
que a vida passa
e que a chama-calor
se fez fumaça,
no rastro do verão
que se passou.
Mas tu,
que tens a luz
incandescente,
me despertas
e mostras, de repente,
a serpente mostrar
que despertou.

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Blog do Jeso | Ruy BarataDe Ruy Barata, poeta amazônico nascido em Santarém (PA).

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