Poetas amazônicos. Cara vida

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Minha cara

Minha cara hoje é assim
meio boba, meio séria,
meio viva, meio sábia,
mais experiente, mais corajosa.

Com marcas adoráveis do tempo,
esse tempo traiçoeiro,
que as vezes nos aproxima
e outras nos afasta,
que por vezes nos enriquece
e outra nos empobrece.

Minha cara vida,
muito boa,
que tem me ensinado tanto,
me fazendo viajar,
sem mesmo sair do lugar,
sentir em estar lá.

Mas é assim mesmo,
Minha cara vida,
como às vezes você é cara de mais,
capaz de refletir,
estampar na minha cara
o tempo e suas tempestades,
por isso minha cara, hoje
Minha cara está assim,
meio boba, meio séria,
meio viva, meio sábia,
mais experiente,
mais corajosa.

Com marcas adoráveis do tempo,
desse tempo que nunca passa totalmente,
que sempre nos mantém vivos.

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France CastroDe France Castro, poeta amazônica nascida em Santarém.

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One Response to Poetas amazônicos. Cara vida

  • Minha amiga France, só aqui pelo blog do Jeso tive o privilégio de ler um poema seu. Confesso, é uma lacuna, para mim, não ter conhecido melhor seus poemas quando estávamos mais próximos, lacuna que eu espero poder eliminar o mais breve… Outrossim, o teor desta sua poesia é o que eu esperava, é a tradução da leveza, da sabedoria e da reflexão madura com que enfrentas teus desafios contra um tempo e uma vida que sempre lhe impuseram grandes desafios. Aliás, é subliminar que encares o tempo e a vida não como teus adversários, mas como teus “caros” companheiros, que te trazem o que de melhor o ser humano pode alcançar, que é a sabedoria, esta sabedoria arrancada, como sabe quem a conhece, a peso de dor, sofrimento e ameaças, portanto, de uma experiência profunda e intensa sobre a existência e o que, realmente, importa na vida. Obrigado por compartilhar conosco as suas experiências e aprendizados, são muito válidos para nós que, muitas vezes, não aprendemos a relativizar as nossas experiências e a valorizar o que realmente importa na vida e o que é mera afetação.

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