
Sim, essa frase que intitula nossa crônica não é minha. É de Drummond. O poeta tem essa faceta de me inspirar à escrita.
Hoje, no nosso calendário, encerramos mais um ciclo. E especialmente nesse ano – 2020 – há um desejo partilhado por todos de fazê-lo o mais rápido possível.
No entanto, aquilo que o modernista Carlos Drummond de Andrade diz em seus versos, faz-nos repensar o nosso tamanho atropelo.
Assim como o amor, a vida é um ato de maturidade! Não acontece em camas espaçosas, nem se prevê nas cartas.
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As camas são estreitas, e as surpresas são constantes – e sobretudo, necessárias.
A vida é um código. Uma espécie de puzzle que insistimos em montar. Mas se o código é descoberto, e se o puzzle fica montado, o que nos resta? A beleza do inesperado, é a surpresa.
A “Quadrilha” do amor é a sua graça; A essência da vida é a sua aritmética irresolúvel.
A vida acontece nos momentos. Nos extremos. Nas entrelinhas:
Na passagem de uma hora para a outra; na troca de notas; no intervalo entre os beijos; entre os abraços. No abrir e fechar dos lábios ao sorrir.
A vida não é conquista; é desafio. Não é a dança; é a coreografia. Não é o rebuscado; é o clichê.
A vida é uma intermitência metafisica. É um êxtase celeste, num equívoco da matéria.
— * Alessandra Helena Corrêa, santarena, é graduada em licenciatura plena em Letras (Ufopa). Faz mestrado atualmente em Estudos Literários, Culturais e Interartes na Universidade do Porto, Portugal, onde reside. No Instagram: @alehhelena.
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