A conexão natalina. Por Alessandra Helena Corrêa

Na nossa língua temos preposições locativas para tudo, depende do sentido da ação que queremos expressar:

Se queremos indicar que algo se dá dentro de um lugar – estamos nele – usamos a preposição EM.

Alessandra Corrêa *

Se queremos informar que viemos de um lugar – como aquele a qual pertencemos – usamos DE – variando conforme o gênero do nome, claro.

Agora, se queremos indicar que não estamos naquele lugar, mas pretendemos para lá ir, usamos PARA ou A – esta última amicíssima da nossa temida crase.

Podemos, ainda, informar que estamos ENTRE algum lugar, em cima dele – SOBRE, ou embaixo – SOB.

Claro que todas essas preposições são determinadas pelo sentido do verbo. Além disso, é interessante como o uso incorreto de uma dessas palavrinhas pode mudar o sentido total do discurso, causar incoerência entre este e aquilo que se diz.

 

Exemplo, na frase:

Professora, posso ir no banheiro?

Vejam, se nós dissemos que a preposição “em” indica que estamos no lugar (dentro dele) e nessa frase o verbo indica movimento, e que estamos fora, portanto há incoerência entre o verbo e a preposição, certo?!

Nesse caso, deveríamos usar aquela preposição que dá essa ideia de ir de um lugar até outro: a (banheiro palavra masculina, portanto: a+o = ao).

As preposições são termos regidos, exigidos por verbos e substantivos, não são essenciais, mas são fundamentais para o sentido do que se quer transmitir, dizer, e até sentir.

Mas por que toda essa explicação de gramatica às vésperas do natal, quando não queremos nem ouvir falar na instigante, porém complexa Língua portuguesa?!

Bem, isso porque as preposições de lugar me fazem lembrar de pertencimento, deslocação, movimento, partida, chegada.

E essas mesmas palavras me fazem lembrar do sentido do natal, festa tão famigerada por todos, celebrada pela maioria.

No natal, a celebração da chegada daquele, que no cristianismo é a própria personificação do amor, faz-nos pensar sobre nosso PERTENCIMENTO NO MUNDO.

ONDE ESTOU

ONDE ESTAVA

PARA ONDE QUERO IR.

Da mesma forma, o lugar também traduz aquilo que somos, nossa cultura, nossos desejos, nossas raízes – nossa forma de olhar de dentro para fora.

 

Assim, é necessário aplicar corretamente, no início desse novo ciclo, a preposição desejada.

Onde estamos?

De onde viemos?

Onde gostaríamos de estar?

No natal o verbo exige a preposição.

Em

De

Para

A ação somos nós quem escolhemos, mas o conectivo não, é consequência. É obrigação!


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— * Alessandra Helena Corrêa, santarena, é graduada em licenciatura plena em Letras (Ufopa). Faz mestrado atualmente em Estudos Literários, Culturais e Interartes na Universidade do Porto, Portugal, onde reside. No Instagram: @alehhelena.

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