Crase: dicas para usar esse fenômeno linguístico. Por Alessandra Helena Corrêa

Nesse artigo irei adentrar num conteúdo que abarca um campo que percorre dois importantes campos da nossa gramática: a morfologia entrelaçada à sintaxe – morfossintaxe.

Mas o que isso significa?

Alessandra *

Basicamente, iremos abordar um assunto em que nos será exigido conhecer a palavra na sua origem morfológica, para assim compreender ”regras” que estão vinculadas a funções sintáticas.

Você lembra da crase?

Aquele fenômeno da língua em que acentuamos o fonema ”a” com o acento grave (`)? Pois é, esse fenômeno, causador de inúmeras dúvidas e até más interpretações e/ou falhas na comunicação (escrita, em especial), tem uma relação com diversas áreas da morfologia que, se não conhecidas e compreendidas, não será possível fazermos seu uso corretamente, já que aqueles simples macetes são vagos, e falhos, na maioria dos casos reais em que precisamos usar (ou não) o acento grave.

Vamos a algumas dicas para aprendermos a ”usar” a crase.

 

Ouço muita gente dizer a seguinte frase: “o problema não é a regra, são as exceções”. Principalmente quando se trata do uso do acento grave – fenômeno da crase. No entanto, devo discordar dessa opinião, apesar de compreender sua origem.

A maioria de nós aprendeu a regra a partir do seu resultado. Ou seja, se eu vos perguntar, leitores, o que é a crase a maioria será capaz de responder (me arrisco a reproduzir abaixo a vossa resposta): “é a junção do a + a colocando o acento para a esquerda”. Ou como alguns alunos dizem “o acento agudo ao contrário” (risos).

Observe: não é que a afirmação esteja errada. Não está! Entretanto, o que você acabou de me dizer é o efeito gráfico do fenômeno gramatical. No que ele resulta: “um acento agudo virado para a esquerda”. Mas isso não é a crase, não define o fenômeno e nem de perto será capaz de nos subsidiar quando estivermos diante da materialização do texto escrito.

Então, se “aquilo” não é a crase, o que seria “ela” então?!

Bem, a crase primeiro que não é o acento, ela é o fenômeno. O acento é a marcação gráfica (nos dizendo) de que esse fenômeno aconteceu: seu efeito (resultado).

A crase, em linhas gerais, é UM FENÔMENO LINGUÍSTICO em que um “a” preposição irá vir seguido de um “a” artigo feminino e por “impossibilidade” fonética de pronunciarmos esses dois sons juntos contínuos (até por efeito de cacofonia, incômodo para os nossos ouvidos), há um processo de FUSÃO em que os dois “as” se tornam um só (visualmente, falando) e para que se saiba e que fique marcada a existência desses dois elementos (preposição e artigo) se tem a grafia do acento grave (`) sobreposto à letra.

E quando esses dois “as” irão surgir ou se encontrar causando o tal fenômeno?

Para respondermos a essa pergunta primeiro precisamos saber o que é uma preposição e o que é um artigo.

Preposição: é aquela palavrinha na nossa língua que irá estabelecer uma ligação entre outras duas.

Uma conexão (por isso ela também pode ser chamada de conectivo). As duas palavras que a preposição CONECTA têm uma relação de subordinação, ou seja, o sentido de uma está ligado ao da outra, nomeadamente, há uma palavra que irá exigir a presença dessa preposição para poder se conectar com aquela outra palavra que virá a seguir.

Artigo: são palavras que vêm antes de substantivos (nomes) determinando seu número (singular/plural) e seu gênero (masculino/feminino). São poucos, temos apenas 6, divididos entre os definidos, quando individualizam, determinam o substantivo; e os indefinidos, quando não há precisão, indefinição, quanto ao substantivo. (o, a, os, as; um, uma, uns, umas).

 

Agora imaginemos que aquele um verbo que exija uma preposição A e um substantivo que necessite do artigo feminino A à frente se encontrassem numa mesma frase. O que iria acontecer?!

Vejamos:

Vou A A festa.

Estranho pronunciar aquela frase com aqueles dois “as” seguidos não é mesmo?! Pois é! O que temos ali, então? A necessidade da fusão dos fonemas e surgimento do efeito crase.

Resultado: Vou À festa.

Simples, né?!

Claro que isso é a regra básica e geral. Quer saber mais? Leia meu artigo completo solicitando o material através do Instagram. Ouça os podcasts.


— * Alessandra Helena Corrêa, santarena, é graduada em licenciatura plena em Letras (Ufopa). Faz mestrado atualmente em Estudos Literários, Culturais e Interartes na Universidade do Porto, Portugal, onde reside. No Instagram: @alehhelena.

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2 Comentários em: Crase: dicas para usar esse fenômeno linguístico. Por Alessandra Helena Corrêa

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  • Luz da Lua disse:

    excelente explicação. Em alguns texto aparece á e não à . Ou seja, ao invés do grave, usa-se o agudo e não é a confusão comum com há . Por quê?

    1. Alessandra Correa disse:

      Olá, Luz da Lua. Então, essa confusão tem a ver com o fato de muitos usuários da língua não saberem quando usar o acento grave, mas, no entanto, percebem que na pronúncia do fonema existe ali uma entonação “diferente” e acabam por utilizar o acento que conhecem, o mais frequente (o agudo – responsável por abrir as vogais e marcar sílabas tônicas). No caso isso não vai acontecer no há (verbo haver) pois nesse nunca vai ocorrer o acento grave; ja sobre o “a” (sozinho) pode haver tanto o uso do agudo quanto do grave, daí a confusão. Espero ter esclarecido sua questão 🙂